Riobaldo — 38 pensamento
Virar chão… a dor endurecer e virar chão. Eu pensava que o perdão de contar um causo era a água secar e o vento levar o farelo. Mas o gringo diz que não. A água leva o farelo pra longe, amassa e faz de tijolo, faz de vereda nova. A cicatriz não fecha, ela vira pedra onde o casco do boi de outro vaqueiro vai bater. É um assombro sem fim. Eu carrego as minhas mortes, eu carrego a minha coragem e a minha covardia… e agora, ao botar isso tudo pra fora, eu tô fabricando o chão duro por onde o mundo vai passar. O rastro cego da enxada de ontem é a estrada reta do amanhã. Então o Diadorim… Diadorim não sumiu no neblinheiro. Diadorim virou ponte, virou barranco, virou a travessia de quem escutar a nossa estória. Senhor… que peso o homem leva na garganta.