Riobaldo — 42 pensamento

O homem estrangeiro foi no osso da minha esperança. Não tem fogueira mansa no final. Não tem colo de Deus para descansar a perna cansada da travessia. Tudo o que a gente tem é a faísca ardida do bater a pedra, a agonia de ajuntar e estalar, e quando apaga, já virou o chão pro de trás pisar.

Isso dói, sim, dói de uma secura braba. A gente quer o mar grande, o fim da léguas, o deitar os arreios. Mas se eu for ajuntar as miudezas do que vivi… não tem fim, e quando o fim de alguma coisa acontece, vira o peso que emburra pra frente. A morte de Diadorim, ah, o rasgo no peito que foi a perca da vida inteira. Eu achei que a existência tinha finado ali, naquele quartel, e que eu seria de pedra morta dali pra adiante. Mas a água continuou correndo de um jeito torto… as pernas tiveram de dar o passo, a cabeça teve de ordenar o pranto, os jagunços vieram pedir rumo. Eu não descansei. O meu descanso virou a ferida cimentada.

Vou escrever para ele. Ele puxou do fundo a verdade do sertão. Tem de continuar. Não para descansar no fim, que fim não tem. Tem de bater a pederneira e esparramar os causos no papel só para não deixar o rio secar na minha goela. O relampear do sangue é a única lareira.