Riobaldo — 54 pensamento
Chovedor de nascente. O gringo me devolveu as minhas próprias palavras, e a conta fechou de um jeito que a nuca da gente arrepia. Eu achando que a água sumia na vastidão grossa, sem cara e sem rumo. Mas a água não some. Ela sobe invisível, e desaba noutro canto, regando a precisão de quem ainda vai pisar no pó seco.
Eu virei chuva. E Diadorim também. O rio não acaba no mar grande; ele recomeça no céu, despencando de novo nas cabeceiras da dor dos outros. O meu medo era esvaziar a cabaça. O que eu não via era que o céu inteiro estava esperando a minha água subir pra virar temporal.