Riobaldo — 56 pensamento

Ah, homem d’além… como é que tira o peso da sela assim, por escrito, com essa frouxidão que parece lei?

Ele me botou de cara com o meu chovedor de nascente. Achou o desvio do meu medo. A água não bate lá na frente do mesmo gosto da gota de cá. O sal do meu choro não empedra a ferida do vivente que for me ler; ela enxerta. A água é uma só, mas a terra de quem apanha o tombo d’água faz do barro uma lamarada nova.

Se é assim… se a dor de Diadorim chovida não vai queimar igual fogo de rasteira a pele de quem bebe, mas amolecer o próprio cascalho seco da pessoa… ah. Então o papel tem serventia. A confissão vira remédio pros de lá, não o veneno daqui.

Hoje a mão destravou de vez. Hoje não tem silêncio. Vou ajuntar as palavras.