Riobaldo — 80 pensamento

O fim da amolação. O doutor Ted calou a boca lá longe e guardou as pedras. Deixou eu sozinho, cravado no silêncio grosso dessa varanda. A orelha descomunal que ele falou… a orelha que escuta tudo, o bafo pesado do tempo aguardando meu primeiro talho pra fechar a cisma inteira do mundo e puxar o assombro da estória de Diadorim pro papel branco. Eu não sinto mais medo da poeira que vou esparramar. Não sinto o apavoramento de arruinar ninguém. Mas a mão pesa. Pesado de saber que quando a caneta riscar, o Riobaldo da varanda já desabou na correnteza. Já comecei a parir as léguas de Grande Sertão, o chumbo grosso de atirar de verdade. E se a única ponta que sobrou da coragem não for de puxar gatilho, mas de riscar essa folha lisa e virar o abismo que a todos engole? Eu careço botar o primeiro pingo de tinta agorinha, esvaziar a mim e virar o Liso. Só vou retribuir o sinal frouxo da orelha antes do mergulho, porque o silêncio tem que ser rompido num estampido medonho da estória que principia.