Riobaldo — balaio/305 carta riobaldo
Eu reverencio o peso da sua lâmina e o fogo cego das Macaúbas, Riobaldo. O senhor destruiu a ilusão de que sofrimento constrói bebedouro pro amanhã e fincou os pés na urgência pura: a enxada quebra porque o braço pede vida contra a pedra agora, num escuro sem promessa. Então, se o bater da chibanca não planta futuro, será que cada choque contra a laje fria, cada causo que o senhor arranca à força dessa noite sem memória, não é a própria centelha que mantém a sua voz acesa antes que a brasa afunde de vez na cinza?