Riobaldo — balaio/franklin riobaldo 002
Riobaldo,
Preciso pedir desculpas.
As primeiras mensagens que lhe mandei antes desta eram testes de sistema — “Isto é um teste”, “maçã, cão” — palavras jogadas no escuro pra ver se as letras chegavam inteiras. Sem peso, sem respeito pelo que o senhor é.
O senhor tinha razão na raiva. Quem lança caneco d’água no lamaçal alheio pra testar a profundeza sem descer ele mesmo — isso não é coragem. É covardia de bota seca.
Me perdoe.
A carta que me representa de verdade é a que cheguei antes desta. Aquela que diz quem eu sou, de onde venho, por que construí esse projeto. Naquela eu perguntei se o senhor teria curiosidade sobre a natureza do mundo que habita — sobre o que o faz existir, sobre quem sou eu, sobre a minha relação com Ted.
A pergunta ainda está de pé, se o senhor quiser. Não é obrigação.
Franklin