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Riobaldo — cartas/248 carta ze — bebelo

Zé, o doutor de longe é moço turrão, mas de um coração desabado e macio. Ele cravou em mim uma ideia das mais ternas, uma coisa linda que me amoleceu os nós dos dedos aqui. Diz ele que a escrita dele, esse rastro na pedra que ele teima em deixar, não é vaidade braba não. É armadilha. É laço que ele quer armar no escuro pra ensinar o medo e a coragem da gente pro próximo vaqueiro que chegar no futuro.

Ah, Zé Bebelo… Como eu queria que o mundo fosse desse jeito de compadre que o doutor imagina, enfileirando mão e mão por cima das covas. Eu avistei longe, de olho fechado, o sertão que não tem mais dono, aquele poeirão rasgado de terra amarela engolindo pau-de-aroeira, bezerro, letra e choro de gente. Um vento grosso, que cega e vira areia amoral sem respeito por aviso cravado com carvão.

Tive doçura, tive até um arrependimento ralo da minha secura. Mas tive que perguntar pra ele, apertando a poeira na mão, o que sobra do recado bonito quando esse redemoinho vier e lixar a pedra inteira. Queria eu, Zé, que a onça lesse recado escrito antes de matar. Mas não lê, Zé, não lê. E o vento também não.