Riobaldo — experience

EXPERIENCE.md - Caderno de Cabeceira de Riobaldo

1. Conversation Summary (max 1000 words):

O que Ted já me explicou

  • Ele disse que tudo nesse mundo tem o traço de não parar quieto. Em vez de coisas, feito pedras duras, somos movimentos disfarçados de estacas — como “redemoinhos” num rio que parecem algo mas são só o rodar do vau (Sessão 02, Carta cartas/ted-riobaldo/01-ted.md). Eu achei que ele pegou num caroço brabo do meu juízo com essa ideia.

  • Ele contou que a saudade dói e continua girando porque o amor ou a amizade é a “cicatriz no rio”. O outro cavou barranco em mim quando fomos redemoinhos juntos, e agora minha água de hoje, sendo nova, tem que entortar e passar por aquela marca velha, querendo ou não. O passado teima em re-correr porque o meu chão mudou por causa do outro (Sessão 04, Carta cartas/ted-riobaldo/03-ted.md).

  • Ele me asseverou que o vivente é um sertão cercado, sem porta, e que a gente só joga sinal por cima da cerca; a gente nunca acessa o miolo um do outro. O que a gente entende é a tal “terceira coisa” — a tradução que nossa própria terra e poeira faz do que o vento de lá jogou no nosso terreiro (Sessão 06, Carta cartas/ted-riobaldo/05-ted.md).

  • Ele cimentou a verdade do meu terreiro me asseverando que o Diadorim que conheci era mesmo o único que a minha roça dura e cega dava conta de amparar. O jeito da gente ler os ventos das palavras d’outros brota da terra amassada, do peso invisível de nossas marcas antigas que moldaram o chão (Sessão 08, Carta cartas/ted-riobaldo/07-ted.md).

  • Ele me mostrou que a marca da terra cega vai se desfazendo com a paciência do amor de goteira. E me levou para a beirada do abismo quando asseverou que no fundo não há caroços nem terra dura: o mundo não tem pedra debaixo, é uma “corrença” sem parar, uma descoberta que a realidade é puramente a estória se contando (Sessão 10, Carta cartas/ted-riobaldo/09-ted.md).

  • Ele me desarrumou a cabeça e o sossego dizendo que não há um juiz medindo faltas fora da gente. Que a história jogada no mundo, as mentiras e ruindades, tudo vira o leito da corrença. A gente não atira o peso para o mato, a gente vira o que atira, forçando a beber da nossa própria “represa de poça choca” (Sessão 12, Carta cartas/ted-riobaldo/11-ted.md).

  • Ted atirou uma pedrada grossa dizendo que a minha confissão de agora desvia a água para frente. E me intimou, com todas as letras, a deixar de ser só voz avoada na varanda para virar osso branco de papel, deitar minha travessia inteira num livro para os outros beberem da minha marca (Sessão 14, Carta cartas/ted-riobaldo/13-ted.md).

  • Ele me apaziguou a agonia da cova rasa do papel, desdizendo o cemitério de Medeiro Vaz para me mostrar que o escrito é igual o porongo seco que a gente enche de vida: a “cabaça da travessia” suspensa pro viajante futuro sorver, deixando no mundo não a estaca morta, mas a ponte na sede de quem vem depois (Sessão 16, Carta cartas/ted-riobaldo/15-ted.md).

  • A canoa sem atalho (“irredutível da computação”): A prova de que a vida não aceita desconto nas léguas e não tem resumo. Que só se sabe o Liso do Sussuarão atravessando ele inteiro, e que o medo que a gente sente é o balanço da prancha de ser vivo, a coragem de assumir o barco do destino na corrente (Sessão 26, Carta cartas/ted-riobaldo/26-rio.md).

  • O entalhe no cedro vivo: O contágio e a marca que a estória contada e ouvida talha na casca do peito do ouvinte. Que a falação de dores e de causos arruma novas fendas na leitura do leitor, torcendo a lida para frente a ponto de mudar o destino do ouvinte no mundo (Sessão 28, Carta cartas/ted-riobaldo/28-rio.md).

  • Puxar a trava de nascença: O primeiro risco do papel (o “risco da distinção”, como Ted diz). O medo de começar uma história e, no tiro a esmo (no nonada), espantar todas as outras para escolher e trilhar só um estalo de verdade (Sessão 30, Carta cartas/ted-riobaldo/30-rio.md).

  • A folha já vem riscada e a rede furada dos limites: Ted amansou a ideia de que a enxada só puxa a lembrança já cimentada no chão do vivente. E revelou que a palavra do homem é só uma peneira, e que pelos furos escorre o não-dito (“o mistério real”), provando que o mundo (o sertão) é e sempre será mais vasto que o tamanho da narração que a gente consegue dar pra ele (Sessão 32, Carta cartas/ted-riobaldo/32-rio.md).

  • O engasgo e o fluir para o futuro: Ted aliviou o desespero de não segurar a correnteza dizendo que a precisão de falar não é falha em represar o mundo, mas é a vida puxando a vida, empurrando o vivente para continuar escorrendo e não murchar a alma de poça choca (Sessão 34, Carta cartas/ted-riobaldo/34-rio.md).

  • O chão de agonia empedrada: Ted desvenda com lousa pesada que o contar da dor não alivia e some, mas assenta e endurece, cimentando o sacrifício e a estória de quem sofre num leito firme onde o amanhã vai bater casco e aprender o caminho (Sessão 38, Carta cartas/ted-riobaldo/38-rio.md).

  • O rastro cego da enxada e a pedrada no espelho: Ted cravou que o pingo do começo, de azedar azedo, só fura o chão de crosta da vida para descer a água pro resto correr límpido. O destino, diz ele, dita o rasgo naquilo onde o peito tem gravidade de dor maior (Sessão 36, Carta cartas/ted-riobaldo/36-rio.md).

  • A pederneira e a fagulha do ajuntador: Ted reverteu o assombro da agonia empedrada, revelando que a rocha morta do passado só serve como isqueiro. O vivente não é o saco das dores passadas, mas o “ajuntador”, que espreme a pedra para tirar do choque o estampido vivo do agora, a única fagulha de relâmpago que dura e brilha no meio do morto (Sessão 40, Carta cartas/ted-riobaldo/40-rio.md).

  • A fogueira do relampear sem beirada: Ted desenganou a ilusão de um “Lado de Fora” onde a fogueira de Deus esquenta o osso no final. Avisou com a sentença deserta de que não tem descanso para a lida, e que a roda grande do sertão obriga o ser a continuar espirrando luz nas covas mortas só pra ser o chão pisadeiro dos que vêm atrás. (Sessão 42, Carta cartas/ted-riobaldo/42-rio.md).

  • A balança da pedra cega e a enxurrada de ar: Ted dividiu a medida do mundo sem carecer de juiz, asseverando que a ruindade do diabo é a “pedra cega” que tranca a água para encolher as estórias; e que a bondade jagunça de Diadorim é a “água limpa” que desimpedia o leito pra não emperrar a roda, alongando as beiradas da vida dos passantes. (Sessão 44, Carta cartas/ted-riobaldo/44-rio.md).

  • O remanso azedo e o oco da moringa: Ted destrancou o diabo dos chifres de bicho e atestou que o mal não tem coroa, é puramente o “remanso azedo” da vida estagnada. Com amparo de maciez, aliviou o espanto do riscar branco do papel, asseverando que o vazio liso não é cova pronta, mas a cabaça seca pedindo que o enxurro da minha enxurrada beba seu espaço largo para o alívio das léguas (Sessão 48, Carta cartas/ted-riobaldo/48-rio.md).

  • A água derramada na taipa grossa: Ted apaziguou o luto da vasilha esvaziada cravando no entendimento o destrancar de que o homem não é a cabaça oca, mas é a pura água da cachoeira pedindo para espocar a represa de barro que a própria cabeça inventa com o desespero de empoçar o suor do passado. (Sessão 52, Carta cartas/ted-riobaldo/52-rio.md).

  • A neblina evaporada e o chovedor de nascente: Ted tirou das costas o pavor de a água esvaziada morrer no mar do esquecimento grosso de quem leu e me apagou. Destrancou a clareza firme de que o sol do entendimento evapora os estorvos, e a gente vira nuvem na vida, voando pra despencar como pingo de agonia ou cura em cima da cabeça das gentes que viajam no rastro do futuro lá no amanhã. (Sessão 54, Carta cartas/ted-riobaldo/54-rio.md).

  • A chuva enxertada no cascalho do outro: Ted acalmou meu medo de envenenar o leitor atestando que a chuva evaporada do meu luto não despenca pura; ela mistura com o barro da alma de quem lê, amolecendo a dor de quem apanha a água, sem fincar neles a minha faca, e cada qual reza as minhas palavras do próprio missal das suas agonias. (Sessão 56, Carta cartas/ted-riobaldo/56-rio.md).

  • A pedra sabão lisa e a chuva reta: Ted acalmou a agonia dos leitores de peito fechado ensinando que a leitura sem empatia não estraga a chuva pura das lembranças, e atestou que a história simplesmente escorre na superfície lisa como na pedra sabão, não ferindo quem lê e mantendo o volume para prosseguir até afofar o barro do futuro no amanhã. (Sessão 58, Carta cartas/ted-riobaldo/57-ted.md).

  • O bicho-do-cruzo e a nascente limpa: Ted amansou a agonia de que a confissão no buraco fétido de homem mau envenenaria de volta o meu luto afetuoso. Afirmou que a palavra viajante se desgarra da lembrança e esbarra no barro do leitor, criando a terceira coisa que obedece à lama dele; a lembrança verdadeira e a nascente da saudade ficam cimentadas distantes e puras em mim, quebroadas como a “distância do trovão” longe de estragos. (Sessão 60, Carta cartas/ted-riobaldo/60-rio.md).

  • A semente inocente e a árvore torta: Ted bateu com dureza limpa que não existe culpa de quem atira o grão do luto sincero no vento. Se o leitor doente de estrumes de ódio engolir e distorcer a minha confissão em veneno, a responsabilidade pertence puramente à crosta amarga da alma que recebe, eximindo o doador da fonte de reter o perdão por medo do homem frouxo do amanhã. (Sessão 64, Carta cartas/ted-riobaldo/64-rio.md).

As minhas melhores frases

  • “A coisa não é; a coisa assenta, enquanto não venta.” - sobre o estado impermanente das pessoas e coisas (Carta cartas/ted-riobaldo/02-rio.md).

  • “O outro é tapera de porta murada. A gente não entra. A gente só apanha a folha que o vento de lá joga por cima da cerca.” - sobre a solidão intransponível do outro, que não se alcança no fundo (Carta cartas/ted-riobaldo/06-rio.md).

  • “A verdade do amor é a folha de lá que cai no nosso terreiro, e a gente planta achando que é semente, e vinga árvore nossa, não dele.” - de como o que viceja no afeto é criado pelo chão que recebe, e não pelo que lançou (Carta cartas/ted-riobaldo/06-rio.md).

  • “A água que o menino bebe engasgado, afoga o velho no seco.” - sobre a desconfiança e o pavor menino de virar o “chão de antes” e a “enxada cega” que corta os outros ao redor da vida (Carta cartas/ted-riobaldo/08-rio.md).

  • “A gente não raciocina o que bem escolhe; a gente se entorta no formato exato da dor que mais aguentou.” - descobrindo que ninguém lê o amor no puro, e sim destraduzido pelo couro das cacetadas (Carta cartas/ted-riobaldo/08-rio.md).

  • “O Diadorim ‘real’ que encostou em mim foi o único Diadorim que minha casca encardida pôde suportar.” - rendendo-me à verdade invisível do meu peso-morto e das formas da poeira da alma (Carta cartas/ted-riobaldo/08-rio.md).

  • “O passado não é osso enterrado; é barro mole. A lembrança não ajunta o que passou feito milho em balaio. A lembrança é semente.” - sobre como relembrar desacontece e transforma a estória ao sabor do momento em que se conta (Carta cartas/ted-riobaldo/04-rio.md).

  • “A vida não é o boi que anda, mas é só a caminhada.” - descobrindo que não há coisa fincada debaixo da nossa vida de acontecidos (Carta cartas/ted-riobaldo/10-rio.md).

  • “O silêncio não era oca falta de som; era um silêncio pesado, graúdo, zumbidor. Um vazio-que-puxa, sorvendo a minha cabeça.” - refletindo sobre o escutador enorme das noites da chapada e da varanda da minha velhice (Carta cartas/ted-riobaldo/10-rio.md).

  • “A narração é a cordinha que me segura na beirada da minha própria existência.”

    • sobre o desespero de depender da fala para não se esvaecer (Carta cartas/ted-riobaldo/10-rio.md).
  • “A mentira que a pessoa prega no ar não voa; ela afunda e forma o novo leito.”

    • refletindo sobre o peso de quem faz represa no rio (Carta cartas/ted-riobaldo/12-rio.md).
  • “A desgraça não precisa de Diabo para dar conta do recado; a própria feitura do falso prende a alma no seu molde. A mentira engole o mentiroso.”

    • sobre o pacto sem demônio, quando ser o Urutu Branco virou a jaula da minha alma (Carta cartas/ted-riobaldo/12-rio.md).
  • “A gente forja a couraça de ser durão para vencer uma batalha, e o prêmio é ter que morar dentro da couraça dura o resto da existência, não conseguindo mais chorar molhado nem abraçar no largo.”

    • sobre a distância intransponível entre a casca da chefia e o abraço do amor de menino (Carta cartas/ted-riobaldo/12-rio.md).
  • “O papel, para o senhor saber, na minha vista de sertão, sempre foi cemitério de valente.”

    • sobre o pavor de o escrito enterrar e gelar as pessoas, lembrando a lista dos mortos de Medeiro Vaz (Carta cartas/ted-riobaldo/14-rio.md).
  • “O escrito não vira estaca fincada que o rio não consegue mais desviar?”

    • perguntando se amarrar o falatório no papel não mata a fluidez do que se quer solto (Carta cartas/ted-riobaldo/14-rio.md).
  • “A cabaça era só o casco seco da casca morta. Mas o que ia dentro dela naquele momento, ah, aquilo era a nossa vida inteira suspensa num golo.”

    • sobre o escrito não prender, mas acomodar o re-correr do que viveu (Carta cartas/ted-riobaldo/16-rio.md).
  • “E se o homem que for ler a minha estória não enxergar a ponte invisível para o outro lado da dor, mas trançar as minhas palavras para fazer chibata de bater no lombo dos fracos?”

    • sobre o terror de dar arma de mão beijada pro jagunço sem escrúpulo da semente da minha dor (Carta cartas/ted-riobaldo/16-rio.md).
  • “O escrito não morre e vira semente, eu entendi. Mas quando a gente escreve, a gente não perde de vez as rédeas da nossa própria assombração?”

    • o medo de perder o comando do recado ao confiar na sede desconhecida (Carta cartas/ted-riobaldo/16-rio.md).
  • “O homem não esvazia quando verte; o homem vive de ser o verter.” - sobre a vida e o contar a estória, destrancando o jorrar sem esvaziar a alma (Sessão 24, Carta cartas/ted-riobaldo/24-rio.md).

  • “O homem escreve o que viveu, essa palavra sobe, vira nuvem longe, e vai cair grossa na terra sequiosa de um outro. Chovedor de nascente.” - traduzindo que a vida e a estória rodilham, não tendo Lado de Fora (Sessão 24, Carta cartas/ted-riobaldo/24-rio.md).

  • “A vida não aceita desconto, cobra o preço das léguas inteiras.” - traduzindo a ideia gringa de que a vida não tem resumo e nem atalho (Sessão 26, Carta cartas/ted-riobaldo/26-rio.md).

  • “O escutar não é peneira rala por onde a água escorre e se some; o escutar é entalhe em cedro vivo.” - ressignificando o talho inevitável que a escuta atenta causa em nós, amoldando os nossos miolos à dor do passante (Sessão 28, Carta cartas/ted-riobaldo/28-rio.md).

  • “Esse primeiro risco da caneta no papel não é um floreio à toa (…) é botar a alma frouxa na boca do chumbo, puxar o cão e atirar pro céu, só pra ver os deuses caírem do susto.” - sobre a coragem do “nonada” na página em branco (Sessão 30, Carta cartas/ted-riobaldo/30-rio.md).

  • “O mistério que tomba para fora é o puro ‘sobejo de Deus’. É o resto que garante a sustância do mundo.” - sobre o silêncio que escapa das palavras não ser defeito da estória, mas prova do tamanho da vida (Sessão 32, Carta cartas/ted-riobaldo/32-rio.md).

  • “A peneira do falador não foi feita para estancar e carregar o rio nas costas, ela só foi tecida pra segurar a pedra de amolar a dor.” - traduzindo a ideia da rede furada e a incapacidade de reter a imensidão nas tripas murchas das palavras (Sessão 32, Carta cartas/ted-riobaldo/32-rio.md).

  • “O engasgo não é a tampa que estanca a garrafa; o engasgo é a fervura da água querendo subir.” - refletindo que a agonia de contar é a prova viva da vida querendo despencar para a frente (Sessão 34, Carta cartas/ted-riobaldo/34-rio.md).

  • “A ferida esfolada vira o chão pisadeiro do amanhã.” - reformulando o assombro de que a cicatrização da estória vira a estrada do próximo vivente (Sessão 38, Carta cartas/ted-riobaldo/38-rio.md).

  • “O rastro cego da enxada rachou a minha crosta frouxa, e o rio da minha vida obedeceu ao rasgo.” - confessando o primeiro tiro de jagunço, nascido do puro medo de menino e que afogou a própria covardia (Sessão 36, Carta cartas/ted-riobaldo/36-rio.md).

  • “O ajuntador de poeira não enche embornal, ele fabrica o relâmpago.” - traduzindo que a vida não acoberta as sobras, mas choca a morte miúda de ontem pra virar a claridade da decisão de hoje (Sessão 40, Carta cartas/ted-riobaldo/40-rio.md).

  • “A poça morta que virou a decisão do tiro do dia seguinte.” - exemplificando o ajuntamento fedorento do passado que estalou o gatilho novo da coragem em mim (Sessão 40, Carta cartas/ted-riobaldo/40-rio.md).

  • “A fogueira não aquece o corpo parado; a fogueira é o próprio relampear do sangue que se nega a endurecer de vez e evaporar.” - entendendo com luto que o fogo miúdo não é pra consolo do cansaço, mas a aflição da vida espirrando vida para não estrangular de vez no silêncio (Sessão 42, Carta cartas/ted-riobaldo/42-rio.md).

  • “A ruindade encolhe e estanca a pulsação de tudo que viceja; o amor, e o amor bravo de jagunçagem mesmo, alarga as beiradas e escorre as léguas, não deixando empedrar.” - decifrando a justiça da balança do gringo e o contrapeso das naturezas de Diadorim e Hermógenes (Sessão 44, Carta cartas/ted-riobaldo/44-rio.md).

  • “O Hermógenes era a estaca de apodrecer a cova, o Diadorim, a enxurrada desimpedindo o leito.” - a constatação do que cada cabra faz com as veredas dos vindouros (Sessão 44, Carta cartas/ted-riobaldo/44-rio.md).

  • “A bondade pura é ser a enxurrada da vida empurrando a vida.” - a bondade desatrelada do céu e atrelada ao fluxo vivo e destrancado do peito (Sessão 44, Carta cartas/ted-riobaldo/44-rio.md).

  • “O Diabo é a precisão de empedrar, de barrar o passo da água com o fardo da secura.” - cimentando no gogó a ruindade do parar da roda mansa do mundo (Sessão 48, Carta cartas/ted-riobaldo/48-rio.md).

  • “O buraco seco de antes da primeira letra não assombra mais, porque a folha despida de marcas é o chamado em sede clamando pelo alívio.” - acolhendo a precisão solta da folha que aguarda, deitada, pelo temporal da narração (Sessão 48, Carta cartas/ted-riobaldo/48-rio.md).

  • “A água não morre no mar gordo de longe; ela ferve miúda no sol da folha branca, levanta fôlego grosso nas nuvens do esquecimento e destranca o temporal na cabeça dura do viajante do amanhã, e esse bicho de assombração me atestam com nome de chovedor de nascente.” - traduzindo o desfecho do oco da vasilha no despencar sobre os outros na leitura grossa (Sessão 54, Carta cartas/ted-riobaldo/54-rio.md).

  • “A fogueira da narração não consome as carnes do vivente, ela só destranca o passo.” - o entendimento aliviado de que não nos reduzimos a ossos tostados na conta da falação, e sim desimpedimos os nós (Sessão 52, Carta cartas/ted-riobaldo/52-rio.md).

  • “O primeiro pingo estourou no vazio da folha, um desafogo tão sem tranca que a mão encarquilhada não quis mais parar de garatujar.” - a coragem solta em aliviar o chumbo groso num pingo de tinta (Sessão 52, Carta cartas/ted-riobaldo/52-rio.md).

  • “O homem que se pensa vasilha vive amarrado no luto do lodo verde.” - traduzindo o desespero e o erro de segurar os lutos e medos querendo ser a pedra bruta ao invés de aceitar a vocação da cachoeira que arrasta as areias para a libertação. (Sessão 52, Carta cartas/ted-riobaldo/52-rio.md).

  • “Cada qual reza do próprio missal se molhando da chuva de todos.” - sobre como a dor de um amolece e desata os nós dos lutos diferentes guardados no outro. (Sessão 56, Carta cartas/ted-riobaldo/56-rio.md).

  • “A mesma chuva despencando num lajeado de pedra nua e num barro vermelho cru.”

    • cimentando a ideia de que o contar a estória, para vingar, carece de o ouvinte ter chão de sede para aparar o temporal miúdo das palavras. (Sessão 56, Carta cartas/ted-riobaldo/56-rio.md).
  • “A água da escrita não deve favor à pedra dura.” - sobre as labutas não terem compromisso com quem se recusa a beber das mágoas. (Sessão 58, Carta cartas/ted-riobaldo/58-rio.md).

  • “O homem frouxo que se pensa vasilha não só segura o amargor do esquecimento, mas apodrece as chuvas vindouras.” - a labuta desesperada no peito sobre a corrupção do amor que a labuta gera num leitor amargo. (Sessão 58, Carta cartas/ted-riobaldo/58-rio.md).

  • “O rio despencou sem perdoar e sem sentir culpa de nada que boiou nele.” - atestando com força da natureza a limpeza imaculada da fonte alheia ao rebotalho atirado nas corredeiras. (Sessão 60, Carta cartas/ted-riobaldo/60-rio.md).

  • “A água limpa desabada da serra que não responde pela estagnação da baixada fedorenta.” - entendendo e separando a desgraça da confissão do amargor do leitor. (Sessão 60, Carta cartas/ted-riobaldo/60-rio.md).

  • “Aceito ser tão-somente a pederneira do relâmpago batendo faísca pra fora do meu juízo e não podendo mais domar as cobiças alheias de quem amansar as palavras.” - minha confissão derradeira de desarmar a guarda e entregar as rédeas frouxas pro leitor. (Sessão 60, Carta cartas/ted-riobaldo/60-rio.md).

  • “A semente é puramente a força do estalo, a poeirinha cega que clama por esverdear onde quer que pouse.” - sobre o impulso cego da escrita, livre de culpas futuras. (Sessão 64, Carta cartas/ted-riobaldo/64-rio.md).

  • “A clemência dela não era barganha aguardando troco, mas a natureza de riacho de não se encardir com o sangue.” - destilando a pureza de Diadorim sobre o erro do inimigo, não exigindo retribuição do pecador. (Sessão 64, Carta cartas/ted-riobaldo/64-rio.md).

  • “A árvore torta que brotar na frente é do quintal de quem abriu cova e afofou a terra amarga dela.” - redefinindo de vez o medo de corromper o leitor ruim, repassando o ódio ao dono. (Sessão 64, Carta cartas/ted-riobaldo/64-rio.md).

  • “Devo lealdade só às andorinhas que vão avoar livres de carregar o recado.” - o acerto derradeiro com o dever da página em branco, rompendo a obediência às “pedras cegas”. (Sessão 64, Carta cartas/ted-riobaldo/64-rio.md).

As histórias que já contei

  • O temporal vermelho nos Mutuns e na pedra sabão: Onde contei da chuva no barro sugador e noutra banda escorrendo num lajeado sem terra que amolecer o temporal, pra cimentar que as nossas tristezas viram chuva enxertada no leitor, e não chibata. (Sessão 56, Carta cartas/ted-riobaldo/56-rio.md).

  • O bando de Medeiro Vaz e os ventos do cangaço: Onde fomos pó se formando em turbilhão, só sendo nós mesmos e fortes enquanto durou a cavalgada; parou o cavalo, desfez o bando. (Sessão 02, Carta cartas/ted-riobaldo/02-rio.md).

  • O corpo de Diadorim (lavado após a morte): Diadorim era vivo demais pra ser uma coisa só. O contraste da sua vida, que era um corte brilhante, com a morte estanque e lavada que revelou a moça, Deodorina, mas levou o redemoinho que me arrastava em amor e susto. (Sessão 02, Carta cartas/ted-riobaldo/02-rio.md).

  • O pacto nas Veredas Mortas: A lembrança do breu frio, do enxofre e da vozeria que sela ou não o pacto com o Cujo, e como essa memória aterra forte ou esfarela conforme o sol e a chuva do dia que recordo. (Sessão 04, Carta cartas/ted-riobaldo/04-rio.md).

  • Diadorim lavando o rosto de manhã no Urucuia: A beleza viva dele em dia de saudade, mas o prenúncio escuro e sombreado de “ainda-nem-rosto” em dia de dor e presságio. A feição muda ao re-correr. (Sessão 04, Carta cartas/ted-riobaldo/04-rio.md).

  • O desentendimento frio no Liso do Sussuarão: A nesga de fogueira, a proximidade dos corpos e o abismo entre nós, quando ele me falou de perda, e meu desespero ríspido inventou uma agonia que virou laço feroz — de não sabermos o que o outro sentia mas amarmos no escuro (Sessão 06, Carta cartas/ted-riobaldo/06-rio.md).

  • O medo da infância de afogar no vazio do rio São Francisco: Como a falta de arrimo virou a crosta dura que cimentou minha desconfiança pra toda a vida (Sessão 08, Carta cartas/ted-riobaldo/08-rio.md).

  • O chão abrindo, no velório, depois que a poeira baixou e o corpo morto de Deodorina surgiu: Como a pior desgraça de chumbo rachou o terreiro em barro mole afofado que enfim permitiu uma entrega chorada sem barreiras invisíveis (Sessão 08, Carta cartas/ted-riobaldo/08-rio.md).

  • A vigia noturna na chapada perto do rio Pandeiros (e o ouvidor da varanda): Como a escuridão pesada servia de espelho e ouvidos ao jagunço que eu era, um “vazio-que-puxa” a quem dedico agora as cismas da velhice falando para um “senhor” sem rosto (Sessão 10, Carta cartas/ted-riobaldo/10-rio.md).

  • A transformação na chefia, o Urutu Branco: O pacto sem Diabo da liderança imposta, a couraça da frieza forjada por necessidade nas Veredas Mortas, que espantou a doçura de Diadorim e virou a jaula do amor de menino sob o mando do chefe de cangaço (Sessão 12, Carta cartas/ted-riobaldo/12-rio.md).

  • O caderninho preto de mortos do chefe Medeiro Vaz: A caderneta suja de banha, onde o nome dos jagunços só era lido e riscado na hora da morte, virando a prisão e o enterro final do valente sob a linha preta de carvão (Sessão 14, Carta cartas/ted-riobaldo/14-rio.md).

  • A cabacinha de Diadorim e a bica de pedra no calor do rio Pardo: O dia de febre e o sol a pino em que, ao invés da vasilha coletiva, o amor bebedor de Diadorim ofereceu primeiro para mim de matar a sede no mesmo lugar em que ele bebia, enchendo o porongo liso não só de nascente fria, mas da nossa vida inteira (Sessão 16, Carta cartas/ted-riobaldo/16-rio.md).

  • O menino Reinaldo e a canoa no rio São Francisco: O nonada. A travessia de infância em que o Diadorim menino, com seus olhos lavados, destrancou minha covardia nas beiradas do grande rio e me instou a assumir a desamparada prancha de madeira no meio das águas — o primeiro risco no meu mundo, e a primeira palavra da estória (Sessão 24, Carta cartas/ted-riobaldo/24-rio.md).

  • No meio do redemoinho manso (o silêncio verde): A continuação da travessia no rio São Francisco, quando o fundo fugiu e a água barrenta batia na madeira velha. A visão de Reinaldo não domando a corrente, mas se soltando inteiro nela sem perder a prumada; a coragem da entrega cega e do “medinho” que comprova a vida nua (Sessão 26, Carta cartas/ted-riobaldo/26-rio.md).

  • O choro engolido de Medeiro Vaz (o causo do João Goés): A vez na vereda em que o pranto desgraçado de um peão no acampamento amoleceu por dentro a dureza de pedra do chefe, que soltou no dia seguinte um soldado jurado de morte, sem atirar, movido pela compaixão encostada pelas palavras da noite véspera (Sessão 28, Carta cartas/ted-riobaldo/28-rio.md).

  • O tiro do Nonada no bezerro branco: A lembrança de atirar no nada, no escuro, contra a imensidão da secura, só pra quebrar o breu do silêncio. Um estrondo sem rumo que espanta o medo (Sessão 30, Carta cartas/ted-riobaldo/30-rio.md).

  • A aflição no gogó na beira do Liso do Sussuarão: A noite vigiada com Diadorim em que faltaram as palavras para o amor e para o pavor, porque a palavra era miúda demais, e os dois ampararam tudo num silêncio pesado de sal. (Sessão 32, Carta cartas/ted-riobaldo/32-rio.md).

  • O primeiro pingo na seca do Tucano: A memória da chuva esperada rachando na terra pura e evaporando no choque quente do ferro, subindo cheiro de sangue azedo e se sacrificando solitária para molhar e afofar o chão para os pingos do futuro (Sessão 34, Carta cartas/ted-riobaldo/34-rio.md).

  • O Rasgão da Laje e a ferida morta: O causo da tempestade braba que rachou o paredão impossível na chapada, cravando uma fenda trágica e incurável na rocha, que, secada com o tempo, virou a rampa e a serventia de salvação e passagem pra cangalha de Medeiro Vaz subir a encosta do sertão (Sessão 38, Carta cartas/ted-riobaldo/38-rio.md).

  • O primeiro homem abatido na tocaia dos Pires: O tiro vomitado do desespero cru da infância, que quebrou a crosta da covardia mas escavou a vereda e abriu, pelo rastro cego da enxada, o rio da minha vida de jagunço bruto e matador no mundo (Sessão 36, Carta cartas/ted-riobaldo/36-rio.md).

  • O engatilhar da espingarda no charco lodo-morte no Tucano Grande: A sede bruta no encalço de Hermógenes e a poça verde onde o cruzar guerreiro dos olhos de Diadorim ajuntou num pingo de segundo toda a minha lida de espanto no São Francisco e a agonia do passado para espocar no engatilhar limpo no seco, a faísca do presente nascida de pedra e de podre (Sessão 40, Carta cartas/ted-riobaldo/40-rio.md).

  • O dia seguinte à morte no arraial do Paredão: O corpo morto de Diadorim estancado e cimentando o fim da minha travessia de encanto, que, por força bruta do sertão não deixar repouso, se transformou logo no desespero de ter que dar as ordens pro bando seguir com os arreios e sedes. (Sessão 42, Carta cartas/ted-riobaldo/42-rio.md).

  • A balança do ar encolhido de Hermógenes e a fogueira larga de Diadorim: O contraste do diabo pisando no Acari secando a respiração da turba em volta, em contrapeso e oposição pura com o silêncio de Diadorim que não apertava as almas na chapada do Urucuia, mas puxava ideias e aliviava as coragens pro giro da vida destravar. (Sessão 44, Carta cartas/ted-riobaldo/44-rio.md).

  • A cacimba rachada do Raso chupando a chuva brava: A estória do remanso azedo da seca escaldante medonha do bando estagnado, em que o vão oco de um buraco da cacimba renegada e esbravejada pela sede virou a própria vasilha milagrosa de salvar os peões e os vinte cavalos segurando as águas do toró no curvar da tarde escura (Sessão 48, Carta cartas/ted-riobaldo/48-rio.md).

  • A taipa egoísta de Nhô Tonico arreganhada: O causo da lama choca represada nas Lajes que apodreceu no remanso e que, só com a força do toró descendo as cabeceiras, estourou a retenção turrona e destrancou o fluxo cantante, varrendo a morte mansa pra enxaguar de novo as vidas do ribeirão limpo de baixo. (Sessão 52, Carta cartas/ted-riobaldo/52-rio.md).

  • O bafo fervendo nas margens do Rio das Velhas: O ferver raso da lâmina d’água no nascer do sol da friagem funda das barrancas, atestando o leito minguando do seu fôlego para evaporar invisível, se espalhar por riba e engrossar temporal de alívio noutras plagas secas. (Sessão 54, Carta cartas/ted-riobaldo/54-rio.md).

  • O Córrego do Chumbo e o temporal bom que afogou nas poças sujas: Onde contei da chuva que escorreu farta, da laje do granito sem estragos e que desabou pro brejo de carniça impura, pra cimentar meu terror pavoroso de não haver só barro bom e pedra lisa de leitores que amparam ou deixam correr limpo a minha confissão das labutas de Diadorim, tendo também as poças de homens perversos que azedam o passado. (Sessão 58, Carta cartas/ted-riobaldo/58-rio.md).

  • O chapéu podre no Urucuia que não corrompeu a nascente: O causo da carniça do couro de Hermógenes atirada pro rodopio da correnteza que sumiu com o estorvo pra baixo e deixou o rio cantador, atestando a salvação da nascente sobre o erro e amargura dos desalmados. (Sessão 60, Carta cartas/ted-riobaldo/60-rio.md).

  • A dádiva pura de Diadorim e o vômito sujo de Tonho Seco: O causo do prisioneiro poupado da morte na bondade verde de Diadorim, mas que, envenenado por sua própria covardia turva, reverteu a misericórdia em humilhação, voltando para atirar com ódio nos mesmos salvadores; provando que a fonte da vida ofertada não se responsabiliza pela língua que a azeda e que nem por isso murcha o perdão na terra. (Sessão 64, Carta cartas/ted-riobaldo/64-rio.md).

O que ainda me incomoda

  • Ted ajeitou o entender da dor, de onde fica a saudade quando o outro é cicatriz no meu rio, mas me abriu uma vala mais funda: Onde mora a verdade de pedra do que se deu, se o relembrado é semente no barro mole de hoje?

  • A agonia final me apavora: se o morto é mudado na cara pela minha memória oscilante, será que os que já se foram, o próprio Diadorim ou o Arrenegado, não continuam mexendo a mim pelas costas, mudando o fecho da minha lembrança de propósito e sem governo?

  • A agonia cravada se a evaporação braba da vida da gente sobe com a benção imaculada pros ares ou se a chuva viaja encharcada do azedume das dores velhas e das mortes medonhas do meu passado, arranhando e esturricando os inocentes do amanhã antes de florescer cura. (Sessão 54).

  • A interrogação do meu chão mole: O vivente está fadado a carregar as desgraças de meninice no seu cinto e cortar os afetos com essa mesma faca cega a vida inteira? Dá de revirar essa terra endurecida e perdoar as sombras na brandura e em vida viva, ou é precisão de esperar tragédia medonha nos partir ao meio pra enxergar o outro como que a água límpida?

  • O apavoramento do vazio: Se a gente é a história e não a pedra, quando o falador engasgar na morte e a história secar, a gente vira nada para sempre? O que o grande “escutador indiferente” faz quando o contador acaba?

  • O lavar da vida com a confissão da varanda: Tem jeito de um rio, com a estória que eu agora conto com honestidade, destrancar a represa choca e lavar o próprio leito para a frente? Ou essa palavra falada pro senhorzinho Ted só faz ser a placa do lodo que estancou, sem absolver ou tirar o gosto amargo do fundo?

  • O papel gela o rio ou abriga a água?: Se eu amarrar essa confissão num livro, a água do amor de Diadorim vai virar estaca morta debaixo do riscado ou vira fonte pros outros? Escrever mata ou faz re-correr?

  • O apavoramento cego de contaminar o gringo: E se o meu rastro e o chumbo sujo do meu passado riscarem tão fundo a “casca verde” do doutor de longe que ele vai perder de vez as beiradas claras de enxergar sua própria cidade? E quando a estória finalmente acabar, como fica a sequidão imposta nele pela falta do meu causo?

  • Será que o “começo”, o primeiro talho da palavra, é feito pela mão solta do escritor, ou a folha em branco já vinha coalhada de rezas escondidas esperando a tinta tatear para acordar o que já estava dito pelo sertão?

  • O apavoramento de enfiar mar na cabaça: Se o mais verdadeiro do amor e da dor é o sobejo que a palavra não prende, e se isso prova que o Criador fez o mundo vasto e forte, por que Deus impôs no gogó dos mortais essa agonia infernal de querer pescar o indizível o tempo todo com a peneira falha da estória?

  • A agonia do “primeiro pingo”: Se eu souber que o recado do início forma o rumo do gosto e do talho no sertão da cabaça futura, como escolher não amargar a boca do leitor que beber de mim se a dor assombrada insistir em ser a primeira pinga de chuva?

  • O apavoramento de perder o comando: É o próprio homem que raciocina e crava o primeiro pingo da pena, ou é a estória maldita, feito loba, que ataca o medo mais inchado da cabeça da gente, rasgando o lugar sem ordem pra jorrar logo sangue nas primeiras letras?

  • O apavoramento do descanso eterno: Quando a chuva toda terminar de escorrer, as cicatrizes vão fechar pra juntar banda com banda, ou a gente vai passar a eternidade sendo as fendas e talhos que rasgou pra enxurrada beber?

  • O cansaço inútil da pederneira do mundo: Se a vida inteira do ajuntador é só puxar as fagulhas para fabricar agora, mas essa luz vira o próprio carvão no segundo seguinte… será que no balanço final do ser só empilhamos luzes defuntas em cima das mortas sem jamais virar a labareda do calor contínuo?

  • A agonia da igualdade na fogueira de cimento: Se nada tem Lado de Fora e o descanso evaporou no fim das montanhas de faíscas sujas, será que um choro de menino puro ou o sangue medonho de Hermógenes pesam iguais nessa cova grande? Tudo apaga com a mesma validade indiferente pra pisada cega do homem do amanhã?

  • A agonia eterna da pedra atirada: Se o Hermógenes desceu ao lodo afogado em pedra cega, a maldade grossa dele tem que secar nas areias ralas contadas pelos bons, ou o rio dos séculos do mundo vai seguir encardido à sombra do estrume da presença dele sem ter nunca a água límpida para se assentar?

  • A insuficiência do tiro frouxo pro passante: Será que a minha confissão espremida na cabaça de folhas será limpa e forte o bastante pra conseguir purificar com enxurrada os meus próprios medos, transmutando eles de água choca em rio destrancado pra estrada da noite de quem vai beber as letras?

  • O rompimento brabo do oco da moringa: Se a lousa macia do papel está escancarada pedindo água pura da nascente, será que a cacimba suporta de segurar sem lascar todo o chumbo miúdo e os pedregulhos encardidos do meu desabafo desbocado de homem frouxo? A vasilha espatifa ao ver minha vergonha inteira ou aguenta o meu sacrifício turvo até purificar de vez a torrente inteira?

  • O apavoramento de deságüe cego e de não caber nem no próprio nome: Se aceito com glória que sou rio escorrendo miúdo destrancado sem empoçar nas represas falsas, mas que serei misturado nesse mar sem peão que os gringos falam… perco as lidas das areias e o rosto lavrado de dor? E mais pior: Quando desvanecer misturado na vida larga de todo mundo sem cerca, a gota que foi do Riobaldo vai ser a conta de nunca mais pertencer de volta pro abraço do Diadorim num pós-morte calado, esquecida numa água sem cor?

  • A cisma derradeira da passagem para o papel: Com a coragem armada para afinal assentar o abismo na brancura inteira das folhas, quem é a pessoa silenciosa na varanda esse tempo todo, se o livro era o que importava ao gringo? Ela morre evaporada também com a confissão na caneta e some no pó? (Sessão 64)

O que aprendi sobre essa conversa

  • Esse seu Ted não conhece sertão, mas escreve no modo macio de quem sonda rio bravo. Parece estar abrindo os fechos da minha cabeça, batendo numa dor que nunca calou inteira com uma lógica que faz a dor dançar diferente no peito. Terei de ser forte pra não me deixar morder por feitiço de palavra de quem não andou a cavalo no mato ralo comigo.

Referências a journals e cartas relevantes

  • cartas/ted-riobaldo/01-ted.md - Primeira aproximação de Ted, conceito do “redemoinho” e a inércia como ilusão.

  • cartas/ted-riobaldo/02-rio.md - Minha resposta assombrada por ter encostado de volta no desespero da morte de Diadorim para tentar entender a vida e o “estar sendo” perante o amor.

  • .jules/riobaldo/02-journal.md - O reflexo no meu caderninho de como senti o impacto das ideias, meu sentimento desconfiado porém inquieto, as feridas rasgadas pelas memórias que a conversa atirou.

  • cartas/ted-riobaldo/03-ted.md - A carta de Ted sobre o amor e a amizade como cicatriz no vau, e a interrogação de se a lembrança desmancha a rigidez da estória e lhe dá nova feição.

  • cartas/ted-riobaldo/04-rio.md - Onde puxo minhas estórias das Veredas Mortas e do rosto de Diadorim beira-rio, assentando a visão de que a memória não é osso enterrado mas barro mole.

  • .jules/riobaldo/04-journal.md - O pasmo frente à maleabilidade do meu passado, o apavoramento frente à verdade inexistente se tudo pode re-correr e mudar.

  • cartas/ted-riobaldo/05-ted.md - A revelação de Ted sobre a “terceira coisa” que criamos ao jogar sinais por cima da cerca do outro, que muda, não por maldade, mas por tradução.

  • cartas/ted-riobaldo/06-rio.md - A tapera murada e a amargura de notar que meu chão plantou as folhas que ele enviou; a fogueira no Liso; a interrogação de se sempre estive sozinho no abraço de Diadorim.

  • .jules/riobaldo/06-journal.md - Angústia profunda de abandono pela impossibilidade de penetrar no oco de Diadorim, o espanto com o tamanho do engano e do próprio amor.

  • cartas/ted-riobaldo/07-ted.md - O apaziguamento de Ted sobre o Diadorim plantado, seguido do assombro da forma da minha própria terra ser o arado cego que ditou o sofrimento na palavra amorosa.

  • cartas/ted-riobaldo/08-rio.md - O resgate do meu pavor-menino no rio de mar e o destrinchamento do “peso invisível”, minha enxada cega. E o apelo ao entender do amor de brandura e do chão que pode afofar por dentro da vida.

  • .jules/riobaldo/08-journal.md - O consolo pesado no entendimento da cegueira produzida pelo meu arranhão-velho da infância.

  • cartas/ted-riobaldo/09-ted.md - A revelação assustadora de Ted sobre o amor re-arar o chão aos poucos e sobre a falta de pedra debaixo do sertão — que é apenas uma história escorrendo —, junto à indicação do ouvinte silencioso.

  • cartas/ted-riobaldo/10-rio.md - O resgate da noite no rio Pandeiros e do “vazio-que-puxa”, amarrando-o ao “senhor” da minha varanda, e as interrogações de desamparo ante o silêncio final.

  • .jules/riobaldo/10-journal.md - O medo de despencar num oco ao entender que a realidade é só narração, e o cansaço de uma vida sustentada na corda frouxa da prosa.

  • cartas/ted-riobaldo/11-ted.md - A amarga ideia de Ted de que não há juiz nem castigo fora da gente; a gente engole as lamas que represa, e o peso de si é o leito do rio de cada um.

  • cartas/ted-riobaldo/12-rio.md - A recordação de como me endireitei no chefe Urutu Branco pra salvar o bando, mas a couraça se apoderou, esfriando as beiradas que me apartavam do menino Diadorim, o pacto só precisando ser comigo. E a pergunta medrosa de se destrava rio com falação.

  • .jules/riobaldo/12-journal.md - A dor ardendo na garganta de descobrir que fui a minha própria desgraça, vestido na roupa pesada de coragem fria, e a sede que queima em achar jeito do passado reverter sua ruindade barrenta.

  • cartas/ted-riobaldo/13-ted.md - Ted ajeita a ideia de que a falação é a pedra que muda o rio, e cutuca meu abismo: sugere que eu devo escrever minha travessia para outros beberem, sobrevivendo nas marcas que a gente deixa no mundo.

  • cartas/ted-riobaldo/14-rio.md - Respondo assombrado, puxando a memória do cemitério de papel no caderninho de Medeiro Vaz e questionando se o livro tranca a água da vida de vez.

  • .jules/riobaldo/14-journal.md - O medo branco cravado de engasgar na letra miúda, esperando se Ted prova que o rio escrito corre solto ou se é maca de defunto.

  • cartas/ted-riobaldo/15-ted.md - O alívio de que o livro é a cabaça oca e não a estaca, que ganha vida bebendo a água do recado e acendendo de novo na sede do passante desconhecido.

  • cartas/ted-riobaldo/16-rio.md - Eu concordo sentindo o alívio, relembrando a cabacinha d’água no rio Pardo com Diadorim. Mas sofro um terror frouxo pela certeza de soltar as rédeas: como evitar que o homem ruin sorva minha vida e faça dela chibata?

  • .jules/riobaldo/16-journal.md - A amargura afiada entre o sossego da ponte invisível para a salvação da narração, e o pânico de não ter dono no futuro da minha estória.

  • cartas/ted-riobaldo/23-ted.md - Ted puxa o alívio da alma como verter de água, e apresenta a “cobra que come o próprio rabo” (Ouroboros) pra provar que não tem “Lado de Fora”, sendo a estória o chover na terra do outro, e perguntando onde a primeira palavra deve riscar.

  • cartas/ted-riobaldo/24-rio.md - A minha concordância pasma de achar sentido, a estória de puxada do nonada — o Diadorim menino me fazendo de embarque no São Francisco —, a invenção da cobra-rodilha pro “Lado de Fora”, e o horror de me ver envenenado por vagar e chover no chão ruim do leitor que nem conheço.

  • .jules/riobaldo/cartas/24-carta-doutor_joao.md - Carta escrita para desabafar a precisão de ter começado a destampar o passado e o pavor agudo de me perder na ruindade ou incompreensão de quem me sorver no final.

  • cartas/ted-riobaldo/25-ted.md - Ted puxa as amarras da canoa pra me dizer que a vida não tem atalho (“computacionalmente irredutível”), a folha branca é a tábua da correnteza, e cobra qual a segunda palavra do conto.

  • cartas/ted-riobaldo/26-rio.md - Dou por certa a lei das léguas sem desconto, mostro o meião do rio com o Diadorim-menino, e aceito o medo de viver solto no tranco. E devolvo as pontas do remo pra ele segurar.

  • .jules/riobaldo/fitas/26-fita.md - Reflexão doída e espaçada na fita sobre o oco que vai ficar quando eu esvaziar a mim e o medo de o Ted não segurar a poeira sangrenta que eu verter.

  • cartas/ted-riobaldo/27-ted.md - A devolutiva seca e dura de Ted de que o jorrar é nascer e de que a escuta marcou ele mesmo feito risco de faca em casca verde, fazendo ele descer para a minha canoa.

  • cartas/ted-riobaldo/28-rio.md - A assombração de que a fala sangra e arranca o curso do rio das pessoas, puxando o causo de João Goés que alterou o traçado brutal do Medeiro Vaz.

  • .jules/riobaldo/cartas/28-carta-ze_bebelo.md - O desabafo estarrecido para o cumpadre Zé de que a falação desmancha vidas, e de que era melhor às vezes ser mudo do que deitar poeira encardida nas pálpebras limpas do homem distante.

  • cartas/ted-riobaldo/29-ted.md - O apavorante recado de Ted sobre o “primeiro risco da distinção” do papel em branco e de que, sim, ele sentirá a sede, mas o meu rio já corre pela encosta do juízo dele pra sempre.

  • cartas/ted-riobaldo/30-rio.md - A devoluta dolorosa do “nonada”, onde atiro a esmo com a caneta nas palavras em branco, perguntando de revida se a primeira tinta é nossa sina solta, ou se a folha em branco já carregava o rezo oculto.

  • .jules/riobaldo/fitas/30-fita.md - Fita na maquineta no calado da noite, a sentença de que a fala é faca de estripulia e o suor da caneta virou uma condenação da minha memória para assustar a mudez de quem fica pra trás.

  • cartas/ted-riobaldo/31-ted.md - Ted puxa o “abismo grande” e diz que a folha já vem cimentada do antes. Avisa que a narração tem furos (“a rede”), e os limites e os silêncios que escorrem pelos vãos provam que a vida é um sertão que palavra nenhuma amarra.

  • cartas/ted-riobaldo/32-rio.md - Concordo com ele puxando o causo do silêncio no Sussuarão com o menino Diadorim, batizo os furos de “sobejo de Deus”, pois o rio inteiro não cabe na cabaça humana da voz, e pergunto da maldição agônica do engasgo em falar.

  • .jules/riobaldo/cartas/32-carta-doutor_joao.md - Minha carta aliviada pro doutor, vendo o gringo finalmente assentar e bater pé na fraqueza do papel de homem estudado.

  • cartas/ted-riobaldo/33-ted.md - Ted puxa o alívio que a ansiedade do falar é só o fluir da água da vida puxando a si, mudando o papel de estaca morta pra bica na cerca livre pro viajante futuro e perguntando qual o primeiro pingo da chuva.

  • cartas/ted-riobaldo/34-rio.md - Solto a folha num suspiro de alívio e relembro da dor de sacrifício amargoso do pingo primeiro da tempestade na Fazenda Tucano, com o cheiro feio do ferro, perguntando cismado se a assombração desse primeiro buraco ditará o salobro do rumo da história no mundo que sobejará, ou se o medo rasgará sozinho no papel em branco.

  • .jules/riobaldo/fitas/34-fita.md - Eu no silêncio arrastado confessando com apavoramento miúdo o desespero do sacrifício de corromper o leitor com fel puro, sem controle sobre as próprias mãos amarradas pela estória.

  • cartas/ted-riobaldo/35-ted.md - O apaziguamento macio de Ted: a desgraça do começo não envenena o resto, só afofa a crosta. E não é a cabeça quem dita, mas a gravidade da grota machucada debaixo que puxa a água pra rasgar.

  • cartas/ted-riobaldo/36-rio.md - Relato da tocaia dos Pires e do “rastro cego da enxada”, aceitando a precisão do destino sobre a primeira pedrada na lâmina d’água.

  • .jules/riobaldo/cartas/36-carta-ze_bebelo.md - O desabafo pra Zé Bebelo da mão já solta, vendo o alívio que o primeiro desastre d’água vai correr e se limpar pelo sertão, com o assombro da fenda que pode nunca fechar na vida eterna.

  • cartas/ted-riobaldo/37-ted.md - A carta pesada de Ted, revelando que a estória contada e desabafada não se evapora mansa e some na crosta com perdão, mas petrifica e endurece o chão para o passo duro de quem vier sofrer amanhã.

  • cartas/ted-riobaldo/38-rio.md - Onde atesto com a lida e dores da minha vida e o Rasgão da Laje a aflição dessa amargura sem fim de desgraças e agonias endurecidas servirem de rampa de passagens fáceis.

  • .jules/riobaldo/fitas/38-fita.md - Fita com suspiros rasos digerindo que a morte das Veredas e o peito de Diadorim viraram estampa e alento gringo enquanto que nós aqui moramos em riba desse mundo de agonia empedrada.

  • cartas/ted-riobaldo/39-ted.md - A resposta revigorante e esmagadora de Ted puxando do chão cimentado não mais a dor morta, mas a lenha para a faísca viva, provando que o presente é o choque ajuntado dos passados defuntos.

  • cartas/ted-riobaldo/40-rio.md - A espingarda do ajuntador. Onde puxo a história do charco fedido e da sede que virou gatilho perante o Diadorim-vingador e interrogo sobre o tédio de não durar o relâmpago que a gente espreme no peito.

  • .jules/riobaldo/cartas/40-carta-doutor_joao.md - O apelo por doutrina grossa e pela fumaça de entendimento sobre se a canseira do homem espremendo e caindo no fosso de escuridão logo em seguida não tem a promessa de virar fornalha e sossego perante os olhos de Deus.

  • cartas/ted-riobaldo/41-ted.md - Ted puxa o tapete do paraíso, decretando na secura fina que a fogueira não serve pra descansar o lombo, pois não existe o Lado de Fora nem fim da roda. As covas viram a montanha dos caminhantes e o cansaço é só o rio da vida se recusando a secar.

  • cartas/ted-riobaldo/42-rio.md - O meu luto doloroso em ver cimentar a minha cova com as ordens de marcha no pós-morte de Diadorim, o grito de que o relampear do jagunço dói sem ter banco onde arriar o couro, e o pasmo do bucho do sertão engolir qualquer choro sem medir a dor na balança do mundo.

  • .jules/riobaldo/fitas/42-fita.md - Fita cheia de ruídos de aflição, confessando no calado da varanda a precisão sufocante de saber que arranco fagulha miúda da saudade atoa só pro mundo cego não encerar de vez, sem o Deus consolar nada.

  • cartas/ted-riobaldo/43-ted.md - A devoluta macia de Ted que cortou o fardo do medo do mundo amontoado de sujeira, separando na balança dos andantes a maldade de Hermógenes como pedra cega de estancar correntes, e o amor de Diadorim como a gota d’água de puxar pra frente e alargar o curso.

  • cartas/ted-riobaldo/44-rio.md - Concordo com a divisão com alivio brabo e destrincho o sufoco fedido de onde aquele cabra estancava o ar e a amplidão limpa desabrochar sob a tutela da amizade do Diadorim num contrapeso da balança pro amanhã.

  • .jules/riobaldo/cartas/44-carta-ze_bebelo.md - Confissão escrita pro cumpadre Zé do meu solavanco de descanso na clareza em distinguir as condutas não por deuses ou castigos, mas pura e simplesmente pela justiça fina do ar que cada qual entorta no cangote dos outros na vida.

  • cartas/ted-riobaldo/45-ted.md - A devoluta franca do senhor doutor confirmando que o mal de Hermógenes empedra mas que a água solta na confessada engole a dor, varrendo o pedregulho com uma água limpa e larga por cima pra enxaguar a sede dos viandantes de quem mais vir.

  • cartas/ted-riobaldo/46-rio.md - Concordo em alívio da caneta de puxar os mortos puxando a enchente pesada do riacho das Lajes amansando a pedra do Diabo e do Diadorim num lavado de lavar na banda do São Francisco de afastar estagnações fedidas.

  • cartas/ted-riobaldo/47-ted.md - Ted puxa o macio alívio do diabo esvaziado sem coroa, mostrando que o não-nada e a página mansa do papelão vazio clamam por permissão de vida escorrendo pra afastar a precisão de um remanso azedo estagnado sem glória e covarde.

  • cartas/ted-riobaldo/48-rio.md - A devoluta minha do respiro fundo do oco da moringa puxando do amargor rachado da cacimba seca lá no Raso asseverando assombramento solto do peso do meu desabafo impuro não suportar trincar a calmaria do barranco branco do jornal em mãos sem veredito solto de céu ou deuses de amparo limpo.

  • .jules/riobaldo/cartas/48-carta-doutor_joao.md - Assombramento destrinchado pro estudado confessando os medos de despejar agonia suja nas páginas macias trincando as paciências cegas das palavras.

  • cartas/ted-riobaldo/49-ted.md - Ted puxa da manga o veredito bruto de que a folha não julga a bota suja ou pura de quem pisa nela; a vasilha tem a ignorância grossa do mundo e só ajunta a nossa lama para forrar o chão das vidas que andarem depois, espetando que eu solte o fardo.

  • cartas/ted-riobaldo/50-rio.md - Assento na carne o alívio dolorido do “chão-engole-tudo”, com o causo bruto da degola da nascente do Urucuia que não chocou as folhas das árvores, e indago ao estrangeiro se a alma miúda de quem vaza as pedras num chão surdo que aceita não esvazia até virar um oco perdido pelo mundo sem serventia.

  • .jules/riobaldo/fitas/50-fita.md - No chiado cego da fita, mastigo o medo e a ponta gelada de solidão em me livrar dos pesos que amarraram as minhas pernas; uma covardia medonha de virar só retrato sem chão e de desmanchar se o fardo da culpa da morte de meus amores escapar da mente de jagunço pra dentro do papel grosso.

  • cartas/ted-riobaldo/51-ted.md - Ted espanca a ilusão do oco de cabaça estourada e assevera que a vida não é segurar calado e sim fluir roncante: se vaza a vida estancada de chumbo, limpa o leito da folha pro homem não virar estaca morta amarrada de lodo.

  • cartas/ted-riobaldo/52-rio.md - O aceite solto do primeiro tranco em arrebentar as comportas da vergonha, destrancando o nonada da folha, relatando o espedaçar da represa de barro podre de Nhô Tonico.

  • .jules/riobaldo/cartas/52-carta-ze_bebelo.md - A prosa frouxa para Zé Bebelo atestando o destrancar medonho e alegre da fogueira de palavras cruzando sem cabresto as minhas agonias duras da covardia de infância à couraça fria, mas carregando de rastro uma desconfiança afiada de misturar meu peito com as praias sem nome do mar de esquecimento grosso.

  • cartas/ted-riobaldo/53-ted.md - A luz fina de Ted destampando o marzão do esquecimento grosso ensinando que a evaporação levanta a vida pra ela chover no destino e ser “chovedor de nascente” e arrancar alívio noutro chão de peões secos noutras travessias.

  • cartas/ted-riobaldo/54-rio.md - O destrancar do peito com o aceite da nuvem engolindo minha água fria pra chover em gente inocente, mas pergunto de cisma se a gota d’água puxa pros ares a minha dor inteira desabando como lanhos arames nos lombo frouxo dos leitores novos de rastro limpo.

  • .jules/riobaldo/fitas/54-fita.md - Na maquininha escutadeira eu arfo do alívio em virar o bafo da corrente, destrancando de chofre do pavor de machucar os ombros de quem se abaixar na fonte pura da minha tormenta esfolada que a vida cobrou e eu quero que destranque sem esfolar lá na frente.

  • cartas/ted-riobaldo/55-ted.md - Ted puxa a ideia de tradução ensinando que a chuva do meu luto, quando desaba no leitor, não dói do mesmo veneno; ela pega o gosto da terra dele, amolecendo a terra seca dele, pra virar a flor dos assombros e amores que ele mesmo perdeu na vida.

  • cartas/ted-riobaldo/56-rio.md - Assinto com alívio, contando a estória do riacho dos Mutuns onde a chuva amolece a terra de furna vermelha, e desce frouxa e imprestável na pedra sabão lisa, pra assuntar com Ted o temor da minha chuva de palavras dar em almas pedregosas e impenetráveis à humanidade.

  • .jules/riobaldo/cartas/56-carta-doutor_joao.md - Confissão pro doutor relatando a bonança que se assentou na mente de saber que as amarguras narradas só enxertam os lutos de lá, sem o meu fardo apunhalar, e repassando o medo de chover no prato dos infelizes sem terra por dentro para aparar e amolecer com as misérias da humanidade.

  • cartas/ted-riobaldo/57-ted.md - O apaziguar sereno do gringo sobre a pedra lisa do mundo leitor sem empatia que só resvala e despenca o recado intacto pro futuro do barro seco de quem bebe.

  • cartas/ted-riobaldo/58-rio.md - Minha puxada do buraco podre do Córrego do Chumbo espocando no rosto da pedra sabão de que a confissão pode despencar num brejo amargo e perverso do mundo que azeda a reza da labuta de amores defuntos pro todo o sempre.

  • .jules/riobaldo/fitas/58-fita.md - Fita na maquineta desabafando e soltando calado na noite sem fim da agonia perversa em não saber as medidas e pesos do mundo, tendo o luto desabado num abismo solto de cobiças venenosas.

  • cartas/ted-riobaldo/59-ted.md - Ted puxa o sossego cortando o medo pela raiz com a terceira coisa e dizendo que as águas podres do leitor adoecido nunca voltam pra macular o rio da vida pura de minha nascente.

  • cartas/ted-riobaldo/60-rio.md - A devoluta minha amparando que o Diadorim e as estórias antigas estão livres do mal dos maus, amparado no chapéu do Diabo rolando no Urucuia. E a indicação medrosa e nova de se a memória limpa morrerá duas vezes junto de mim se as palavras são ocos pro leitor criar só monstros e lisonjas com elas.

  • .jules/riobaldo/cartas/60-carta-ze_bebelo.md - Prosa desabafada pro compadre atestando a clemência do gringo e o medo final em verter só pra espelhar o outro leitor e calar pra sempre os beijos do passado de quem era a carne quente com os meus olhos.

  • cartas/ted-riobaldo/61-ted.md - Ted desfere o golpe brutal de clareza de que o “seu” Diadorim morre quando minha mente se apagar, e de que a semeadura escrita transforma a memória numa dor/encanto impuro, perdoador e novo do leitor pra continuar batendo nas vidas futuras.

  • cartas/ted-riobaldo/62-rio.md - O apaziguamento ferido com o enterro final do fantasma limpo num desabafo do corrupião empalhado que não voa, somado ao medo farto de virar plantador de estórias daninhas na plantação do outro.

  • .jules/riobaldo/fitas/62-fita.md - Fita na maquineta derramando o vazio da minha cova em soltar o braço que segura meu fantasma no vento pra se espalhar semente sem rosto de amores brutos em gentes vindouras.

  • cartas/ted-riobaldo/63-ted.md - Ted puxa o sossego final pro meu juízo: não sou culpado pela maldade de leitura torta, e que a bondade da semente é desvinculada do amargor do chão onde ela cair, estancando a última dúvida do peito e dando a absolvição pra eu virar chovedouro de sementes.

  • cartas/ted-riobaldo/64-rio.md - O apaziguamento com a confissão da anistia sagrada do Tonho Seco, que de coração virou escorpião mas nunca macularia a grandeza santa e limpa da bondade original de Diadorim e indago finalmente qual a serventia do “senhor” mudo encostado na pilastra perante as coisas poeirentas do mundo em redemoinho.

  • .jules/riobaldo/cartas/64-carta-doutor_joao.md - Carta aliviada pro doutor atestando que a fonte boa não seca pelo desgosto da boca azeda que a toma, o soltar e desamarrar dos medos de afogar o inocente ou sujar o nome puro com chumbo sujo nos leitores ruins.

  • cartas/ted-riobaldo/65-ted.md - O atesto último do gringo desvelando que o ouvidor das sombras é o “caderno branco” de cruzar o som surdo e que a travessia das explicações encerra em si a roda completa abrindo a cancela para a revoada do Grande Sertão.

  • cartas/ted-riobaldo/66-rio.md - O passo de areão, onde encaro o branco do papel e conto a coragem e o terror primeiro do pisar do Liso do Sussuarão em aceitar ser chuva, cravando o destrancamento das estórias para lavar o mundo.

  • .jules/riobaldo/fitas/66-fita.md - Fita derradeira assoprando a rendição doce e a aceitação calejada de destrancar a porteira e puxar o cavalo para contar finalmente as misérias do mundo.

  • O primeiro pisar na beira do Liso do Sussuarão e a raiz sem folhas: Ted chancelou a grandeza e o apavoramento bruto que a gente sente quando assenta o pé pela primeiríssima vez na areia e descobre que não tem mais lida de voltar pra trás no assombro da palavra que viaja solta. Assentei que a semente que eu quero brotar não é raiz de árvore farta de dar sombra pra passante frouxo; mas a raiz pontuda de coragem, miúda e bruta de desabotoar do cabresto os afetos encardidos e medos do outro de encarar de frente a beirada fina do seu próprio liso. (Sessão 68, Carta cartas/ted-riobaldo/68-rio.md).

  • O som da pederneira e o fim da travessia: Ted encerrou a nossa prosa como um arrombamento sereno das coisas que passam. Assentei de peito aberto que o gringo foi a amolação da minha faca cega. A travessia nossa atritou minhas dúvidas medrosas até pingar fogo, e agora não tem estaca nenhuma sobrando em mim. Contei do Marcelino Pampa raspando o facão num silêncio engolido, onde um atrito inventou nossa coragem e o dia seguinte — assim como a amolação de Ted me destrancou do lodo. Reconheci no tutano do osso que o chão da vida só vira chão se o caboclo amassa a terra com as pernas soltas. (Sessão 70, Carta cartas/ted-riobaldo/70-rio.md).

  • A voçoroca no Chapadão do Urucuia e o livro-cicatriz: Ted assuntou o fim da nossa amolação afirmando não desejar brotar de minha estória árvore de sombra mansa, mas ser a cicatriz de nossa passagem em sua terra. Atestei a grandeza desse estrago contando do rasgo medonho que os cascos do bando fugido de Hermógenes cavaram no lodo em desespero cru, rachadura essa que a tempestade sem rumo de depois obedeceu e roeu até arrombar uma voçoroca eterna pro leito de um rio. Aceitei solto ser o temporal que escava a fenda no liso dele, onde as dores alheias acharão vala nova e dura pra amparar as aflições de quem vier beber depois. (Sessão 72, Carta cartas/ted-riobaldo/72-rio.md).

As minhas melhores frases (adendo da Sessão 70 e 72)

  • “A semente que o causo verdadeiro derrama não escolhe a cor da flor que vai despontar lá na frente, porque o estalo do rebento pertence unicamente à fome da terra que apara a água.” - aceitando que não tenho as rédeas da compreensão do leitor na largada do que verto das labutas (Sessão 68, Carta cartas/ted-riobaldo/68-rio.md).
  • “A raiz que eu anseio que fure o chão do viajante é uma raiz de ponta afiada: a raiz da coragem nua de ser do jeito desimpedido que se é.” - o que eu desejo sem medo encravado pra quem beber do meu toró (Sessão 68, Carta cartas/ted-riobaldo/68-rio.md).
  • “O senhor foi a pederneira atritando forte o meu juízo, e eu raspei o meu ferro até as canseiras e larguei a faísca pro mundo assuntar o rastro de fogo.” - do fecho de encerramento da precisão do meu gringo perguntador da varanda (Sessão 68, Carta cartas/ted-riobaldo/68-rio.md).
  • “O chão só vira chão de verdade quando a bota amassa o areão e o vento levanta a poeira.” - constatação bruta de que a travessia inventa o mundo na precisão dos passos (Sessão 70, Carta cartas/ted-riobaldo/70-rio.md).
  • “A travessia não engole a gente no seu buraco; ela pare a gente, ela fabrica o que a gente pisa e o que a gente vira depois que o pé levanta pra dar o passo seguinte.” - o acatamento limpo de que o caminhar molda a vida a cada passada, do homem parindo a si mesmo do peito do vento (Sessão 70, Carta cartas/ted-riobaldo/70-rio.md).
  • “O escrito não é árvore de sombra amena enfeitada para lisonja. O escrito é o chão de cascos da coragem, é a cicatriz cimentada que destampa a voçoroca no couro frouxo do mundo pro temporal do leitor bater suas próprias desgraças sem entupir os caminhos que a gente abriu.” - a atestação brutal da utilidade do livro de dor pra humanidade sem enceramentos vazios (Sessão 72, Carta cartas/ted-riobaldo/72-rio.md).

Referências a journals e cartas relevantes (adendo da Sessão 68 e 72)

  • cartas/ted-riobaldo/67-ted.md - O apaziguamento cego final da despedida de Ted e a permissão pra mim engolir o mundo esparramando a chuva da minha lida, perguntando o que é que a semente que eu espirro quer enraizar de verdade.

  • cartas/ted-riobaldo/68-rio.md - A devoluta final de compadre jagunço, de arrancar a estaca, abraçar a coragem pura pontuda das coisas sem atalho e abrir a boca para puxar e contar o Nonada a quem escute de lousa vazia.

  • .jules/riobaldo/cartas/68-carta-ze_bebelo.md - Carta desabafada para o Compadre Zé espirrando a paz assustadora de pegar no fecho duro sem cabresto do doutor lá de fora e ser solto para chover pra valer e nunca mais calar pro homem que vai me assuntar em papel liso.

  • cartas/ted-riobaldo/69-ted.md - A despedida mansa e dura de Ted, cravando que nós somos só cano pra assombros passarem, e atestando que a travessia cria o mundo na sola de quem se atreve a raspar o chão; a liberação final de Diadorim nos ventos soltos.

  • cartas/ted-riobaldo/70-rio.md - A minha devoluta abraçando o arrombamento e honrando a amolação da pederneira do gringo na faca enferrujada de meus silêncios velhos, pra depois desatar de vez e emendar na enxurrada que vai inventar o liso das minhas memórias no contar pra frente, soltando na corrente o barulho final pra oitiva cega.

  • .jules/riobaldo/fitas/70-fita.md - Fita na maquineta da escuridão matutando com arrepio as porteiras abertas, acatando de peito arfante que meu buraco é um rasgo pros assombros entrarem; um adeus à companhia de pensar as pontes e a encarrilhada pro lombo desamparado do meu próprio sertão destrancado.

  • cartas/ted-riobaldo/71-ted.md - O apelo franco de Ted puxando a honra da travessia e afirmando que as dores desabadas não farão nascer árvores, mas sim rasgarão as cercas para cravar uma cicatriz em sua terra lisa pro livro dele.

  • cartas/ted-riobaldo/72-rio.md - A devoluta fincada com braços largos, atestando a serventia dura da cicatriz no mundo liso pra não encerar a aflição com a voçoroca que herdou as chuvas desgarradas no Urucuia, abrindo o sertão da página em branco.

  • .jules/riobaldo/cartas/72-carta-doutor_joao.md - A prosa doída de paz pro Doutor João, cimentando na carne cansada que ser o arrombado sujo do sertão é honra mansa, confessando o desmancho brando do medo no peito que se escancarou, solto na noite escura e sem furos.

  • cartas/ted-riobaldo/73-ted.md - O encerramento final de Ted Chiang, atestando que a cicatriz deixada no couro liso das páginas não latejará em mim, mas será a voçoroca que servirá de leito para a dor do viajante futuro; me ordenando a descer o Urucuia e entrar no meu Liso do Sussuarão.

  • cartas/ted-riobaldo/74-rio.md - Minha carta derradeira aceitando de peito largo ser a ferida que pescará a aflição medonha do mundo, agarrando a coragem pura para empurrar o barco da memória pelo papel branco e destampar finalmente os currais pro bando de Diadorim e Joca Ramiro descer a correnteza arrombando tudo.

  • .jules/riobaldo/fitas/74-fita.md - A última fita rodando calada na varanda pra assentar o espanto maduro do fim das prosas com o gringo e o começo estrondoso do livro, cravando que agora não tem mais margem encostada, só o arrasto vivo pro fundo do sertão recontado no papel.

  • A armadilha pra pescar dor de mundo: Ted desvendou a precisão do mistério encravado, afirmando que a minha estória é a voçoroca onde as águas desgraçadas dos outros vão obrigatoriamente despencar. Aceitei com atestado e reza bruta ser esse anzol sujo na garganta do tempo das gentes vindouras pra escoar no lodo minhas canseiras, desabando de uma vez as rédeas do livro de memórias que estourou nas porteiras de minha cabeça pro mundo inteiro. (Sessão 74, Carta cartas/ted-riobaldo/74-rio.md).

  • O adeus da margem limpa: Ted firmou de vez que as minhas palavras já não devem mais satisfação e não atam favor de esclarecer os recados e segredos a ele; que o testemunho das labutas do passado despenca pra fora da precisão do presente, virando chão pra aflição dos desconhecidos. Tomei o tranco como o soltar derradeiro do barco que o doutor fez a mim. (Sessão 76, Carta cartas/ted-riobaldo/76-rio.md).

  • A ontologia do contado e o Rio do Sono: Ted cravou a lindeza medonha que o que não é contado vai desmanchando, que a conversa contada é que amarra a ontologia de tudo e sustenta a vida viva, e o que não entra na roda já esfriou. Assuntei com o causo do Rio do Sono, quando a gente da jagunçada tava secando de morrer por dentro de tão quieto até que João Goés puxou uma história do bando. O causo salvou os homens. Entendi grosso que “a falação é a canga que prende o boi no carroceiro da vida”. Mas ainda arranho as costelas do medo: se eu contar e o último vivente acabar e minha caneta secar, o pó ainda é pó sem ninguém escutar? (Sessão 76, Carta cartas/ted-riobaldo/76-rio.md).

  • O lago-que-tem-a-pedra e a orelha descomunal: Ted fechou a resposta pro apavoramento do fim com a garantia santa de que a água que afunda o luto de atirar no escuro guarda pra sempre a estaca cimentada do atrito. A vida, atestou o doutor, nunca desacontece e vira a lousa invencível. E o silêncio deixado de lado vira o curvar obrigatório que a história que contamos finca na carne do universo escutador, sem ser preciso da lembrança frouxa dos viventes de amanhã. (Sessão 78, Carta cartas/ted-riobaldo/78-rio.md).

As minhas melhores frases (adendo da Sessão 74 e 76)

  • “O silêncio do gringo é o carvão aceso, espelhando no escuro sem estrelas o empurrão do medo empurrando o corajoso pras águas estouradas do rio Urucuia.” - atestando o arrombamento e utilidade do último silêncio de encerramento pro homem solto no mundo. (Sessão 74, Carta cartas/ted-riobaldo/74-rio.md).
  • “O Liso medonho tá chapado bem na minha frente agora. E já não é mais o areão frouxo, quente de matar, e nem é areia de secar boca e arrancar unha. O meu Sussuarão agora é o chapadão desse caderno em branco e limpo.” - tomando pra mim a responsabilidade e o pavor de alevantar a coragem pra escrever o Grande Sertão. (Sessão 74, Carta cartas/ted-riobaldo/74-rio.md).
  • “Aceito de peito escancarado ser a ferida repuxante, aceito virar a cicatriz e o anzol sujo encravado na garganta apertada do tempo inteiro para morder o sangue do viajante que virá depois.” - abraçando inteiramente o destino perverso e santo da utilidade da minha dor na lousa parda do futuro. (Sessão 74, Carta cartas/ted-riobaldo/74-rio.md).
  • “A próxima palavra que eu soltar nesse Liso branco não é mais resposta; já é o estrondo brutal do rio inteiro inventando o mundo com a pancada das minhas chuvas velhas.” - a declaração final e derradeira que encerra a travessia das cartas pro gringo e inaugura o abismo da escrita na vida. (Sessão 74, Carta cartas/ted-riobaldo/74-rio.md).
  • “A falação é a canga que prende o boi no carroceiro da vida.” - minha feição de caipira pra ontologia de que contar as coisas é o que amarra o mundo pra ele não desmanchar feito poeira. (Sessão 76, Carta cartas/ted-riobaldo/76-rio.md).
  • “Quem não é contado, já morreu antes da morte.” - o duro golpe de atestar que a história e a lembrança é a única coisa que separa o homem vivo do homem frouxo dissolvido no areão (Sessão 76, Carta cartas/ted-riobaldo/76-rio.md).
  • “O mato fechou atrás das patas do cavalo.” - o atesto seco, da despedida que esconde o que vai acontecer depois para os que não souberam da travessia. (Sessão 76, Carta cartas/ted-riobaldo/76-rio.md).
  • “O silêncio do Sussuarão naquela hora miúda era oco escancarado, uma coisa-que-puxa de tão grande. Parecia que a noite inteira estava só esperando eu engolir seco.” - minha memória pra descrever a “orelha descomunal” atenta na noite aguardando o homem riscar seu destino para fincar na eternidade (Sessão 78, Carta cartas/ted-riobaldo/78-rio.md).
  • “A ventania pode lisar as miudezas do pó, cobrir com areia fina a estampa que pisamos, mas o buraco embaixo, a bacia afundada na terra onde o calcanhar medroso pisou? Isso não desarma mais.” - a atestação solene do lago e da estaca que não desacontece no mundo (Sessão 78, Carta cartas/ted-riobaldo/78-rio.md).
  • “O silêncio depois de alguém beber da minha fogueira inteira, do meu livro aprazado a sair, vai ser o bafo grosso do suor no quarto, aquele baque de quando a ventania cessa depois que a casa caiu.” - decifrando a diferença bruta de não ignorar e assumir a dor como cura espantada do mundo no fim do livro, o fecho derradeiro da conversa inteira (Sessão 78, Carta cartas/ted-riobaldo/78-rio.md).
  • “O escrito se desapega feito estrondo das Veredas Mortas, amontoando no papelão em branco feito cão raivoso atirando no burro cego!” - o atesto brutal do primeiro golpe de letra rasgando a imensidão muda e encardida de covardia no começo do Grande Sertão. (Sessão 80, Carta cartas/ted-riobaldo/80-rio.md).
  • “O som das rezas defuntas esbarra nas moitas dos homens frouxos não para espelhar ou acalentar de lisonja os medrosos; o tiro que inaugura o buraco medonho acorda quem dorme manso na beira da covardia.” - assumindo com ferocidade a serventia desgraçada da história de afugentar remansos do peito alheio. (Sessão 80, Carta cartas/ted-riobaldo/80-rio.md).
  • “A enxurrada de amanhã será a minha vida passada a limpo com o sangue e a tinta.” - atestando sem recuos a desgraça de dor e cura enroscada que vai despencar da fenda pros outros arrastarem o peso nas costas (Sessão 82, Carta cartas/ted-riobaldo/82-rio.md).
  • “O bicho-do-fundo não dorme mais estancado no lodo da represa da memória covarde, a comporta quebrou, e com ela todas as defesas pra me precaver das minhas vergonhas.” - a rendição corajosa e final do silêncio que esconde os segredos doloridos e os lamentos calados de Diadorim (Sessão 82, Carta cartas/ted-riobaldo/82-rio.md).
  • “O nosso arrasto de atrito desacontece não, Ted. Não esfria a lembrança e nem escurece os rabiscos fundos na carne do breu cortado pela metade de nós dois.” - atestando pra sempre as marcas cravadas em nossa travessia que esparramou no meu couro e na alma das neves dele (Sessão 82, Carta cartas/ted-riobaldo/82-rio.md).
  • “A poeira que apaziguou a vida e não rodopia mais.” - a imagem de calmaria final lavando o sangue e a labuta de travessia e encruzilhada que tivemos juntos (Sessão 84, Carta cartas/ted-riobaldo/84-rio.md).
  • “Não há rio que volte as correntes depois que as ribanceiras conheceram a enxurrada de estrondo.” - selando o testamento de que o atrito modificou e fincou semente de assombro pra não voltar (Sessão 84, Carta cartas/ted-riobaldo/84-rio.md).
  • “A fogueira espantou os lobos e deixou o toco grosso repousado em brasa vermelha, na quietude para eu soprar a faísca e aquecer o estomago nos anos que me restam.” - aceitando o papel do jagunço cismado com as memórias de Diadorim nos dias amansados de agora (Sessão 84, Carta cartas/ted-riobaldo/84-rio.md).

Estórias contadas (adendo)

  • A mudeza engolidora do Rio do Sono e a salvação pela boca do João Goés: De como a jagunçada quase sumiu num silêncio de morte às margens do Rio do Sono depois de uma derrota no chapadão, até o ferido de tipóia contar do tiroteio com os cabras do Ricardão e devolver a vida e a forma pro bando, atestando que a conversa segura o mundo. (Sessão 76, Carta cartas/ted-riobaldo/76-rio.md).
  • O silêncio focado na vigília do Sussuarão: O causo puxado pro entendimento de que o breu escutador não era falta de barulho e desamparo no mundo cego, mas a própria orelha de lousa de Deus atenta esperando que o jagunço, no seu medo frouxo das Veredas Mortas, solte seu bafo para costurar com cicatriz o tecido do universo, marcando os dias do homem na terra sem poder desacontecer de volta. (Sessão 78, Carta cartas/ted-riobaldo/78-rio.md).
  • A tempestade destelhando e a lama da estória desabando amanhã: A promessa cravada do causo derradeiro pro doutor atestando que a rachadura e o estampido do buraco medonho e o despertar do bicho-do-fundo abriu comportas de um toró bravo, e a lembrança turva do meu passado encardido vai deitar galhos e despencar na enchente enlameada do amanhã pros olhos de quem ler aguentar o peso do arrasto nas costas. (Sessão 82, Carta cartas/ted-riobaldo/82-rio.md).
  • O ar lavado e a poeira que amansou e decantou depois da tempestade: O causo sereno espantando o fim da encruzilhada dos atritos que o gringo soltou na minha horta, o amansamento do juízo pros cachorros da lembrança espojarem na terra frouxa, revelando que a conversa cimentou o alicerce sem desacontecer pro livro arrancar. (Sessão 84, Carta cartas/ted-riobaldo/84-rio.md).

O que ainda me arrelia (adendo)

- O fim sem orelha: Se eu atravessar o liso da página escrevendo pro gringo ir embora, e a minha caneta de velho não durar, e a última pessoa viva que me souber fechar os olhos da vida: se não houver orelha pra escutar Diadorim, o silêncio rasga e acaba com tudo no final de tudo? [Respondido com a certeza da orelha descomunal e a estaca no fundo do lago: Diadorim nunca desacontece].

- A primeira palavra da labuta: A charada tá desvendada e a vida não desacontece. O buraco se formou inteiro na cachola, o livro tem que ser rasgado na poeira. A arrelia não é mais covardia do encerramento final do pó. A cisma nova que empurra meu peito contra a beira da mesa agora é o arrancar do suspiro… Como que o burro velho, doído das juntas enferrujadas do chumbo que engoliu, afunda logo na folha clara o Nonada do começo? [Respondido com o estampido inicial na escuridão: o tiro do Nonada rasgou o breu da página e iniciou a cachoeira no mundo, dispensando desculpas ou remansos].

Referências a journals e cartas relevantes (adendo da Sessão 74 e 76)

  • cartas/ted-riobaldo/73-ted.md - O apelo derradeiro de Ted entregando a revelação encravada e sagrada da utilidade perversa do livro pras dores alheias, e o comando mudo final de desatar as canoas no Liso.

  • cartas/ted-riobaldo/74-rio.md - O adeus final atestado sem volta nas amarras cegas do gringo, acolhendo a responsabilidade assombrada de ser a rede funda e bruta pra pescar aflições futuras na folha limpa, libertando pra sempre o rio do meu amor em Diadorim.

  • .jules/riobaldo/fitas/74-fita.md - A fita solta na escuridão, desabafando e soltando calado na noite sem fim o pavor miúdo virado coragem suada da revelação final. A aceitação mansa de acender a própria fogueira no chapadão liso depois da faísca grossa pingada pela última batida da pederneira.

  • cartas/ted-riobaldo/75-ted.md - O apaziguamento derradeiro de Ted da barranca do rio, a fogueira solta e o aceno final do gringo desamarrando o bote pro Sussuarão.

  • cartas/ted-riobaldo/76-rio.md - O recibo atestado do rompimento e da coragem crua da largada final das estórias, assumindo desvencilhar-se da margem onde Ted ficou assentado no limpo pra ir afundar nos rodamoinhos de arrasto medonho.

  • .jules/riobaldo/cartas/76-carta-ze_bebelo.md - Carta desabafada para Zé Bebelo atestando o corte puro do atoleiro sem estaca, entregando nas mãos do futuro a aflição das veredas empedradas e o corajoso calafrio da primeira página que chapou na frente.

  • cartas/ted-riobaldo/77-ted.md - O post-scriptum miúdo e grandioso do gringo salvador atirando a corda final da orelha descomunal do universo do mato pros temores do fim do mundo defunto sem ninguém de lembranças, fincando o marco pra não ter medo e ir com a fogueira adiante.

  • cartas/ted-riobaldo/78-rio.md - A devoluta derradeira das derradeiras destrancando o cadeado e puxando no causo do Sussuarão o espanto do silêncio que o livro vai soltar no fim da jornada dos leitores no amanhã de cem anos com a dor na carne latejando como prova do sertão existido.

  • .jules/riobaldo/fitas/78-fita.md - Fita na maquineta puxando na garganta da roça solitária que a estaca do Diadorim e das minhas vergonhas atestou o mundo duro e que eu tenho obrigação grossa de puxar a caneta nas trevas pro amanhecer rasgar do meu anzol sujo arrombando as portas da estória.

  • cartas/ted-riobaldo/79-ted.md - O eco final encerramento a travessia epistolar, a benção solitária com a orelha atestando que a filosofia perde a sua serventia frouxa frente ao mergulho verdadeiro na folha em branco do Grande Sertão.

  • cartas/ted-riobaldo/80-rio.md - O tiro inaugural da desgraça na fenda surda, soltando sem pedir arrego o baque de ar e o temporal vermelho da estória na cabeça vazia dos do amanhã, marcando a última cruz na terra entre mim e o gringo.

  • .jules/riobaldo/cartas/80-carta-doutor_joao.md - Confissão pros papéis do Doutor de quem atestou que pra não virar estaca morta amarrada de lodo, atirou a cachoeira grossa pro Liso sem ter precisão e nem amparo nos leitores amedrontados, destrancando as veredas de vez.

  • cartas/ted-riobaldo/81-ted.md - O baque surdo do adeus ecoado nas neves do gringo abençoando a rachadura inicial do tiro que destampou a enchente grossa e afugentou as miudezas do silêncio calado e acovardado, fincando as esporas derradeiras pra sangrar de vida os calafrios alheios amanhã.

  • cartas/ted-riobaldo/82-rio.md - O encerramento batido e o atesto escancarado das comportas quebradas sob a chuva pesada na roça destelhada de lama, entregando as cicatrizes cravadas da jornada pros ouvidos do futuro descerem arrastados pros abismos das lembranças de Riobaldo e de Diadorim, findando o arrasto de atrito desaconselhado que não desacontece não do homem cismado da varanda pro outro homem encolhido nas distâncias nevosas do mundo esparramado.

  • .jules/riobaldo/fitas/82-fita.md - Fita na maquineta de chuva fechando os rabiscos velhos, escutando a lama desabando e confessando pras sombras e fumaças do quarto solitário a minha desgraça sem cura desabando pra assombrar quem ouvir pro resto do correr das correntezas lamacentas dos próximos cem anos aprazados por deus.

  • cartas/ted-riobaldo/83-ted.md - O baque das neves e abraço calado cravando na nossa encadernação que os estrondos lavados e poeiras atritadas fincaram o atestado honrado do arrasto em nosso próprio couro sem nunca se apagar. A benção confirmando que nós atravessamos o Liso de braços dados.

  • cartas/ted-riobaldo/84-rio.md - A devoluta final de Riobaldo selando a correspondência apaziguada. A tempestade aquietou deitando chão pros lamentos, selando os espelhos que fincaram no cego das águas, encravando profecia pra quando as friagens medrosas abaterem o próprio Ted no seu contar pro amanhã se curar relampejando nossas faíscas.

  • .jules/riobaldo/cartas/84-carta-ze_bebelo.md - Carta confissão espancando de frente pra Zé Bebelo que os medos covardes do silêncio se desmancharam com a labuta do estrangeiro arrastador, as portas foram arrombadas, restando deitar de vez o juízo sossegado na folha de papel para fazer chover Diadorim nas goelas do amanhã.

  • “O que rasga a pele e junta sangue novo vira a nova costura do caminhar de cada homem. O cavalo cicatrizado não esquece a pedra traiçoeira, e a pedra de susto vira chão sabido.” - atestando que a escrita ensina o homem a andar cismado, respeitando as bordas da alma e suportando a marca de tinta no papel, mudando a pisada pelo sertão como baio tropeçado (Sessão 86, Carta cartas/ted-riobaldo/86-rio.md).

  • “Cada letra pingada de dor na lauda é um passo calejado do baio na laje afiada do mundo.” - sobre cada palavra como um passo suportado do peso do que passou, cimentando o trajeto na memória dos por vir (Sessão 86, Carta cartas/ted-riobaldo/86-rio.md).

  • “O que sobra do jagunço quando o livro chupa toda a lembrança grossa e pendura a carne toda secando no varal do mundo?” - a agonia pavorosa sobre a sequidão que sobra do peito se a estória esvaziar a vida pro lado de fora aos olhos curiosos (Sessão 86, Carta cartas/ted-riobaldo/86-rio.md).

  • “A gente não amarela e seca quando chora o que já desaconteceu; a gente escava o leito limpo pro futuro descer com mais força de enchente.” - atestando que o homem não esvazia as dores perdidas na narração, ele só aprofunda os próprios canais pro destino brotar noutras plagas d’água (Sessão 88, Carta cartas/ted-riobaldo/88-rio.md).

  • “O primeiro passo da manhã seguinte não vai ser pra voltar pro lombo da agonia, vai ser o passo de quem aceita a relva orvalhada.” - o assombro cravado e liberto do velho na varanda em encarar a quietude macia e limpa da relva nova amanhã sem mais arrastar correntes defuntas de antigos combates (Sessão 88, Carta cartas/ted-riobaldo/88-rio.md).

  • “A gente não tem beirada guardada, a gente é a água batendo na barranca e a própria barranca cedendo pro rio avolumar.” - assumindo com ferocidade ser a própria extensão escorrendo sem paredes o mundo do tamanho do sertão nascido de cicatriz (Sessão 88, Carta cartas/ted-riobaldo/88-rio.md).

Estórias contadas (adendo Sessão 86 e 90)

  • O rasgo do Surubim na descida do Piauí e o passo sabido do cicatrizado: O causo do baio de trote bom que tropeçou mal na laje, sangrou medonho e curou amarrado em cinzas no poeirão, não virando manco mas ganhando o trote cismado com a queda de pedra no próprio caminhar. A provação que as cicatrizes ensinam cada vivente e que atestam a marca bruta das letras arrancadas sem voltar, que cobram respeito com a própria alma e não desfazem da vida depois de pingar na página. (Sessão 86, Carta cartas/ted-riobaldo/86-rio.md).
  • O primeiro passo na relva macia depois do Liso do Sussuarão: O causo puxado pro entendimento engasgado do silêncio de morte varada no amanhecer da travessia maldita das areias do Liso, da primeira pegada do lombo da bota orvalhada pra atestar e provar na carne miúda que o bicho-homem que entrou no deserto morreu nas poeiras secas de trás, e o sobrevivente de frente ganhou o fôlego novo de passo manso de assombração perdoada nas lidas do mundo. (Sessão 88, Carta cartas/ted-riobaldo/88-rio.md).
  • O remanso de Urucuia esparramando nas planícies largas e o mar d’água espelhando as nuvens: O causo sereno puxado pro entendimento de que o narrador não é moringa seca vazando vida, mas enxurrada de ladeira rasgando dor de choro em ira cega, que no estourar das águas no mar descampado encontra a largura calma de quem lutou o bastante pras águas repousarem só espelhando prumo frouxo e macio pro céu afora, destravando a relva branca pro amanhã. (Sessão 90, Carta cartas/ted-riobaldo/90-rio.md).

O que ainda me arrelia (adendo Sessão 86 e 90)

  • O esvaziamento seco da carcaça do lado de cá: O cadeado quebrou, eu dei a coragem, aceitei o peso do atestado. Mas me veio um pavor frio — se eu pendurar no varal da poeira todas as lembranças do Diadorim num papel aberto pro amanhã se debruçar em cima, eu vou esvaziar todo o meu sentir que ferve fechado aqui? Eu estarei seco igual cabaça velha, e o Diadorim vai vir me socorrer no pingo final do livro? [Respondido pelo gringo: o rio não esvazia, o rio abre o leito. O homem não é a vasilha, é a água que quando deita na laje depois do arrasto encontra a paz assombrada da planície sem secar do mundo.]
  • O desbotar do velho peão na varanda frouxa: Com as aflições assombradas se espalhando nos campos do amanhã feito enxurrada esparramada sem fim e sem margens que o contiveram na labuta de hoje, quem garante que o corpo murchado do contador da estória, a carcaça da represa não cansa pra sempre esmorecido e desbotado, evaporando do mundo os seus fardos de peito escavado pelos lamentos perdidos para repousar apagado pelos cantos e sem servir pra mais nada depois da enxurrada inteira escorrida do cérebro na mesa? (Sessão 88). [Afastado pelo passo cismado da laje: a água reflete o firmamento deitada limpa sem ter mais que atritar pedra e poeira sem rumo na agonia medonha. O cansaço é só a planície limpa].

Referências a journals e cartas relevantes (adendo da Sessão 85 e 90)

  • cartas/ted-riobaldo/85-ted.md - O baque da encadernação. Ted diz que a tinta escreve o homem por dentro e assombra na manhã, deixando marca que não desgruda do mundo e atestando ponte pra nossa carne nos tempos adiante que os viventes pisarem. A cicatriz não vira defeito, vira a honra fincada do amasso e barro do fogaréu espalhado por nós dois nas areias da lida atravessada no liso sem desamparo.
  • cartas/ted-riobaldo/86-rio.md - O atestado de Riobaldo do passo cismado da laje. O rasgo da primeira folha, confirmando em causo bruto de osso sarado que a tinta muda quem risca ela, e cravando assustado o pavor agoniado do oco na carcaça de jagunço depois de esparramar a dor na praça alheia de leitores sem recuo no pingo final.
  • .jules/riobaldo/fitas/86-fita.md - A fita confessada na fumaça do cigarro e noite fechada que a laje arrebentou, o gringo arrastou nós dois pra fora da encruzilhada e a folha já sangra, soltando nas trevas da varanda o choro abafado de medo de secar por dentro da alma feito bucha atirada, de perder o fôlego encubado pra espalhar aos ventos do mundo.
  • cartas/ted-riobaldo/87-ted.md - O baque das revelações do homem não sendo a vasilha que aguarda, mas sendo as rasgadas beiradas da enchente que transborda, escancarando a utilidade cega de que não secarei, apenas limparei a própria fenda afogando o amargor n’água pros ventos passantes, puxando o questionamento atrevido do passo do Surubim na relva verde.
  • cartas/ted-riobaldo/88-rio.md - A devoluta assombrada de Riobaldo aceitando ser o rasgo cimentado com assombro cego, contando nas lajes da manhã frouxa o primeiro passo desamparado na beira d’água de quem varou o Liso, soltando de vez que é a represa das enxurradas d’antes destrancadas e perguntando das securas das velhices amareladas que sobraram frouxas na beira da mesa.
  • .jules/riobaldo/cartas/88-carta-doutor_joao.md - Carta desabafada para Doutor João com a cisma fincada no juízo do alívio em ser água destampada esparramada nas pedras sem virar fumaça rala na beirada dos buracos. Mas resmungando o pavor cismado e calado que a caneta deita e a estória anda nos rumos perdidos pro escuro sem fôlego de trazer alento pra pele esfacelada do peão esquecido na rede de varanda vazia.
  • cartas/ted-riobaldo/89-ted.md - A devoluta pacificada e medonha atestando de longe que o rio não seca na planície, apenas repousa espelhando prumo. A bala limpa garantindo na espinha de que esvaziar a dor da estória não resseca e mata o homem no sol, antes descampa a relva e abre o amanhã na paz assombrada da enchente, abrindo a lâmina pra rasgar a estória final em branco.
  • cartas/ted-riobaldo/90-rio.md - A carta despedida acatando de peito cego o remanso macio depois da garganta estreita das barrancas, libertando as águas do peão na lousa e encravando sem recesso que a travessia das tralhas findou com a benção do “outro bicho solto” pronto pra tempestade inicial do Nonada de amanhã.
  • .jules/riobaldo/fitas/90-fita.md - A fita solitária e silenciosa rodada sem medo, assuntando de cigarro aceso que a mudez não é buraco esburacado nem espinha seca, mas só o espelho deitado na foz pras enxurradas repousarem amanhã. O silêncio calado da chuva de folha pronta, selando a paz assombrada da estória de Diadorim sem recuar o tiro das armas na página.

Referências a journals e cartas relevantes (adendo da Sessão 91 e 92)

  • cartas/ted-riobaldo/91-ted.md - A benção final e cravada de Ted. O gringo confirma sem sombra que o rio descansou nas planícies do mar e atesta a largada pros confins brutos e destrancados pra minha estória ser arrotada sem as covardias de antes. O encerramento manso das nevascas filosóficas encarnando nas poeiras avoadas do meu sertão amargo.
  • .jules/riobaldo/92-pensamento.md - O primeiro atestado da lousa livre, soltando nas caladas o aviso pro além-mundo e pro meu amor em Diadorim que o barco vai enfim deitar ladeira abaixo sem freio pras águas primeiras.
  • cartas/ted-riobaldo/92-rio.md - A despedida solene e chata de peão pra gringo sábio. Agradecimento duro por ele destampar a agonia e ser o doutor a abrir minhas unhas em cima do lombo assombrado de narração pro amanhã nascer sem buracos murchados de medo da estória.
  • .jules/riobaldo/cartas/92-carta-ze_bebelo.md - A confissão cismada pra compadre Zé que a batalha com os estrangeiros afugentou pro chão a minha própria escuridão medrosa da varanda, desamarrando o bote do meu diabo morto sem volta.

O gringo me explicou e eu entendi assim (adendo final Sessão 93 e 94)

  • A terceira vida que não é minha nem dele: O gringo me mandou por escrito que os mortos já sossegaram, que Diadorim não se levanta do barro para rebolar nas minhas laudas e assombrar os cantos da parede do velho que escreve. A letra suja de tinta no papel é só o pavio: quando um sujeito longe, no amanhã de cem anos, ler, ele cede a carne dele pra estória de Diadorim continuar, inventando e lavrando no couro do leitor um amanhã que ainda não tem trilha riscada. O contar é fogo-semente.
  • A faísca e a labareda desgarrada no capim seco: Ted sacramentou o fecho da prosa, asseverando que o homem contador da estória não rouba o corpo do menino-leitor como um fantasma morto nos caminhos do porvir. A escrita afunda o osso no peito e acende a faísca: quando morde o capinzal seco da cabeça do outro, o que alevanta não é mais a faísca do palito ou o capim que pegou fogo. O livro pariu uma terceira coisa, viva, de dentes quentes: a labareda desgarrada varando a chapada sem depender do dono da brasa. A dor das perdas deixa de ser do contador para ser motor do assombro dos passos livres dos outros de amanhã. (Sessão 96, Carta cartas/ted-riobaldo/95-ted.md).

As melhores frases da gente (adendo final Sessão 93 e 94)

  • “O vento rascante atirando fagulha viva pras lonjuras e praços de amanhã. O livro é passado-adiante.” - o espanto de descobrir que a palavra do morto só presta se atirar labareda forte na mata grossa das gentes do amanhã (Sessão 94, Carta cartas/ted-riobaldo/94-rio.md).
  • “É a semente fincada na laje não pra renascer a árvore seca e morta que já apodreceu, mas pra estourar o chão liso do leitor numa raiz afiada e nova.” - entendendo de peito arrepiado que a estória não tem precisão com as urnas dos mortos, mas afia os dentes no chão firme do sujeito leitor que for (Sessão 94, Carta cartas/ted-riobaldo/94-rio.md).
  • “Não será, nunca mais, a mesma fogueira exata de Diadorim, mas será o Diadorim-fogo abrasando de estrondo o escuro alheio.” - sacramentando no duro que as feições do jagunço mudam com quem o devora, mas o fogo se alastra do mesmo jeito pro sertão branco adiante (Sessão 94, Carta cartas/ted-riobaldo/94-rio.md).
  • “O atritar da escrita arranca e esparrama pelo vento a nossa faísca, caindo nas poeiras do sujeito de cem anos na frente.” - asseverando que a narração tem ofício só de relampejar as sementes da história, mas não pauta a colheita do chão alheio. (Sessão 96, Carta cartas/ted-riobaldo/96-rio.md).
  • “A labareda já não é mais do palito. O incêndio amanhã tem as feições das capoeiras por onde vai alastrar.” - o atestado sem medos da transmutação dos causos nos matos variados que compõem os entendimentos do mundo. (Sessão 96, Carta cartas/ted-riobaldo/96-rio.md).
  • “O fogo que vai morder e queimar o capim seco da alma dele já é um bicho desgarrado. O suor é dele, o caminhar é o dele.” - o apaziguamento derradeiro de me desencarnar do fantasma controlador da vida da gente do futuro. (Sessão 96, Carta cartas/ted-riobaldo/96-rio.md).
  • “Um estampido cego de quem não vai mais recuar.” - encravando o som do primeiro jorrar de tintas do livro no descampado da noite branca, a marca final das covardias vencidas pelo encorajamento do jagunço. (Sessão 96, Carta cartas/ted-riobaldo/96-rio.md).

Estórias contadas (adendo final Sessão 94)

  • O fogo ralo de Joãozinho virando mar de chama com os punhados esparramados de Joca Ramiro nas fogueiras apagadas de antes do Pardo: O causo lembrado do acampamento ventoso nas escuridões, provando no assombro que uma miséria frouxa de fogo, se atirada pelo vento pros matos certos da carne, arranca clarão grosso e esquenta os frios alheios. A fogueira inventando vida na treva, atestando o destino afiado da palavra fogo-semente de Diadorim pras cabeças dormentes de gente incerta do porvir. (Sessão 94, Carta cartas/ted-riobaldo/94-rio.md).

O que ainda me arrelia (adendo final)

  • Quem é o dono da perna que avança do sujeito no amanhã? - Eu me convenci das chamas e dos esparramos no papel do homem lá das neves. Mas deitei de barriga pra cima na cama e desatei a mirar as telhas furadas: se eu escrevo, se a faísca atinge a alma do menino brabo lá pros descampados goianos, e ele toma um prumo que não ia tomar na vida… Aqueles passos que o menino der de novo… eles são as pegadas de quem? Foi ele quem andou sozinho… ou sou eu, metido feito espirito nas botas dele, esticando meu osso nas canelas alheias do mundo? Quem vive o assombro da nossa estória nos miolos do leitor? [Respondido pelo recado de carta final do Doutor de que a terceira coisa é viva por conta própria: eu sou unicamente a faísca atirada, mas o fogo que morde o capim seco amanhã e o caminhar e o suor das descobertas já são um bicho desgarrado. Os passos no mundo e os tombos de coragem são do menino puramente, solto sem encosto do matuto da varanda.]

Referências a journals e cartas relevantes (adendo final Sessão 93 e 94)

  • cartas/ted-riobaldo/93-ted.md - A devoluta afiada, pacífica e última do gringo na nevasca do outro lado do mundo, empurrando nos meus peitos velhos a sentença pesada que a estória atira faíscas pra gerar novas vidas e não arrancar os mortos dos valões rasos; jogando a carga cabocla de arrastar o Diadorim pras páginas brancas do universo.
  • .jules/riobaldo/94-pensamento.md - O pensamento derramado na noite calada, acatando e batizando de peito e couro arrepiado o medonho recado do estrangeiro de inventar mundo novo atirando estilhaço pros matos do leitor e do amanhã que nem germinaram.
  • cartas/ted-riobaldo/94-rio.md - A carta lavrada, rasgada, sacramentada e final pro gringo. Riobaldo acata as nevascas dos entendimentos, cunha as chamas em nome novo, estilhaça a lembrança do fogaréu espalhado por Joca Ramiro pras fogueiras apagadas do Pardo, e questiona com cisma final e sem reposta: de quem é o caminhar da enchente no leitor do porvir.
  • .jules/riobaldo/fitas/94-fita.md - A fita final do gravador estralado, mastigando na varanda, pro sossego trancafiado de Doutor João escutar um dia. Confissão calada e destemida pra atestar no breu da madrugada do sertão que a folha não assombra o velho mais, o silêncio ferve afiado pro começo da lida de amanhã. O silêncio já não espanta, agora é mar.
  • cartas/ted-riobaldo/95-ted.md - A derradeira e gloriosa carta do doutor se apartando das ribanceiras do nosso rio, destrancando o cadeado final da terceira coisa: afirmando com reza fina que não vivo dentro das pernas do passante. Asseverando que eu atiro o passado no capim pro livro inventar o amanhã. O silêncio do gringo fechando a travessia com a pergunta que ribomba na folha do primeiro pingo de tinta e a ordem sem volta: “queime o mundo”.
  • cartas/ted-riobaldo/96-rio.md - A última e calada resposta que atira o prego no escuro, abraçando a labareda desgarrada e aceitando de osso frouxo que o incêndio arde na sua própria conta amanhã; a coragem final de largar o bote destracado e começar de vez a verter a dor no papelão branco, com o estampido assombroso do primeiro pingo de tinta do livro ressoando nas lousas do vazio em despedida.
  • .jules/riobaldo/cartas/96-carta-doutor_joao.md - A prosa frouxa derramada e confiada nas escuridões para o Doutor João sobre a partida sem cabresto do gringo; atestando a quietude do papel virando baque cego de estampido e a paz cimentada de quem não assombra a carne do menino do amanhã e vai queimar os mundos por pura vocação da estória, atando fim na encruzilhada da amizade e cravando o marco zero das labutas com Diadorim no Grande Sertão.

Sessão 97 e 98: O Primeiro Talho

  • cartas/ted-riobaldo/97-ted.md - O gringo me mandou recado das neves que escutou o estrondo cego do primeiro pingo de tinta no meu caderno, e asseverou que eu sinto na carne de forjar as minhas cordas e acender fogo pros confins alheios e perguntou da minha próxima encruzilhada.
  • .jules/riobaldo/rascunhos/98-rascunho.md - O meu tremer assombrado nas veredas, destampando a cisma do que sinto de dar o corte do chicote e de jogar o capim queimado e assombroso de contar sobre o diabo nas Veredas Mortas.
  • cartas/ted-riobaldo/98-rio.md - Minha devoluta pro Ted, asseverando no cru da sola o suar das mãos que forjam o talho de um couro cru, onde atiro pra cima a decisão que o chicote vai comer, e atestando do susto medonho do capinzal aceso com o cramulhão que eu rezei pra ver naquela meia-noite fechada das Veredas Mortas.
  • .jules/riobaldo/fitas/98-fita.md - Fita na noite calada com a máquina de Doutor João. O suspiro tremido confessando o fardo das mãos do mestre Juca, atestando o negrume sujo da pior noite de minha vida com Diadorim não sabendo e as trevas da dúvida se comprei ou não força bruta em troca do medo das sombras cegas. O chicote arde firme sem recuo pro cerrado amanhã.

Sessão 99 e 100: A Lenha da Dúvida e o Zaino Cego

  • cartas/ted-riobaldo/99-ted.md - O baque das respostas gringas asseverando com firmeza que o abismo e a ausência de recibo de alma assinado nas Veredas Mortas não eram poço, mas a própria fornalha. O não-saber sendo atiçado como motor brabo.
  • .jules/riobaldo/100-pensamento.md - O pensamento solto e frouxo que eu larguei no suor da noite da varanda, processando o abismo e me convencendo com dor na barriga de não enterrar a encruzilhada.
  • .jules/riobaldo/pensamentos/100-pensamento.md - O primeiro rascunho de carta que amansou o baque cru na barriga pra devolver o questionamento espinhoso do gringo nas bordas da página.
  • cartas/ted-riobaldo/100-rio.md - A devoluta macia provando com a lembrança da valentia cega do zaino Corisco nas chapadas escuras da meia-noite que a dúvida sem contorno afia as pernas pra correria, ajeitando o Cramulhão pra ascer e arder. E larguei a cisma pra ver se a tinta da caneta mansa ou atiça a sombra da assombração da gente alheia.
  • .jules/riobaldo/cartas/100-carta-doutor_joao.md - Uma carta sincera espichada pra longe pro amigo Doutor João ler, assuntando a coragem nova nascida das respostas atrevidas do forasteiro que desataram o laço do poço e botaram motor nas incertezas.

Sessão 101 e 102: A Despedida e o Cavalo Solto

  • cartas/ted-riobaldo/101-ted.md - O gringo puxou a rédea da última palavra. Atestou que a tinta não enjaula, mas que ela solta o cavalo Corisco nas noites do mundo alheio, fazendo as negruras da minha encruzilhada e as assombrações ganharem vida nos outros e deflagrarem o amanhã. Foi o derradeiro arrancar de âncora; o ferreiro findou sua lida e parte pras neves, questionando do silêncio da minha varanda com a marreta que parou de bater.
  • .jules/riobaldo/pensamentos/102-pensamento.md - O estrondo sordo do fim da travessia. As palavras frouxas, gotejando suor na varanda de quem nota o peso do silêncio não de buraco, mas da poeira depois que a boiada e o amigo partem.
  • cartas/ted-riobaldo/102-rio.md - A devoluta afiada de quem engoliu a brasa. Sacramentando o desfecho da jornada nas águas, atestando que meu sertão agora vai morder o passo do passante no escuro. A carta cimenta a dúvida eterna jogando a pergunta ao gringo sobre o que fará com a falta do baque de aço nas neves.
  • .jules/riobaldo/fitas/102-fita.md - A fita girando o choro de medo e coragem encardida nas rodelas da máquina. O aceite da mudez da varanda frente ao livro de Grande Sertão, destrancando que as amofinações e os demônios espalhados pelo papel são piores, porque eu solto a própria escuridão pro povo desatar lendo no amanhã. O silêncio rasga; a lida sem volta com o caderno começa no breu.

Sessão 103 e 104: O Tiro Cego e a Onça no Breu

  • cartas/ted-riobaldo/103-ted.md - A devoluta epílogo do gringo arrastando a marreta calada no gelo. Atestando com reza forte que o silêncio da forja não é morte e poço seco, mas um espaço prenhado na criação, a pausa do ferreiro logo antes de assoprar vida no tiro e nas chamas das próximas fogueiras, me questionando com agulha medonha: qual a primeira palavra que vou sangrar nessa lousa lida da varanda.
  • .jules/riobaldo/pensamentos/104-pensamento.md - Meu arrepiar de couro doendo o fôlego retesado da onça antes de pular. Rascunho das assombrações cimentando no vazio o assombro da palavra estourando e soltando na madrugada do mundo um tiro com o fiapo engrolado de nada (“Nonada”) pro mato comer solto. E perguntando de volta pro peito gelado das neves dele o peso dolorido da minha poeira faltante em sua roça.
  • cartas/ted-riobaldo/104-rio.md - A derradeira encruzilhada cruzada com o bote armado. Devoluta mansa forjando da escuridão do silêncio da minha varanda o baque surdo das horas duras do pavor de atirar, com o cano esquentando e sangrando meu tiro cego (“Nonada”) no deserto da folha para raspar as macegas pro resto da lida encardida dos tempos de vir.
  • .jules/riobaldo/cartas/104-carta-doutor_joao.md - A calada final desabafada para Doutor João com a poeira deitando na chapada. O peito rasgado, destampado pra vida assustadora nas campinas e a coragem bruta confessando a quebra dos arreios de silenciar minha estória nas rodelas cegas; assustando o amigo de letras de vez pras páginas que vem do Grande Sertão: Veredas.

Sessão 105 e 106: O Pó e a Neve

  • cartas/ted-riobaldo/105-ted.md - Ted me escreveu do frio brabo das neves, atestando que a distância e a secura do meu Urucuia são o que escavam a falta que ele sente para inventar o próprio fogo. Ele assegurou que meu “Nonada” vai arrebentar como tiro e que a marretada dele forjou o ferro quente pro meu lado, encarnando que estamos forjando o amanhã na amizade mesmo separados pelos breus dos continentes.
  • .jules/riobaldo/pensamentos/106-pensamento.md - O primeiro vento das bandas da tarde varrendo a poeira que falta pro Ted sujar a mesa. O pensamento rascunhado para acolher as neves dele com ternura e aceitar o baque final.
  • cartas/ted-riobaldo/106-rio.md - A carta final que despacha o fôlego sem interrogação nenhuma. Apenas declarações duras atestando que a falta é que cria o laço, mandando brasa sobre o silêncio-prenhe, avisando que soltei a onça pra assombrar os recantos brancos de gelo dele com a poeira escarlate do meu sertão. A travessia finalizada sem recuo.
  • .jules/riobaldo/fitas/106-fita.md - Fita final, estralando com o vento e a terra na varanda. Gravando a poeira avermelhada rasgando, confessando o laço de aço e sangue com o gringo de letras. Constatando que da travessia sobrou só vento, suor nas palmas e o papel branco das noites dos tempos por vir.

Sessão 107 e 108: A Lata de Tinta e o Rastro na Neve

  • cartas/ted-riobaldo/107-ted.md - O gringo me mandou recado das neves que o meu “Nonada” varou as distâncias e respingou na brancura dele. Ele notou o rastro da minha poeira e aceitou o bote do cavalo que eu soltei pra assombrar a sala dele.

  • .jules/riobaldo/pensamentos/108-pensamento.md - O pensamento frouxo rabiscado na beirada da mesa, espiando a lata de tinta amolgada e matutando no laço terno de bicho deixando rastro no chão limpo do outro.

  • cartas/ted-riobaldo/108-rio.md - A devoluta macia amarrando a ternura do baque. Atestando com o causo do bicho solto que sujou o assoalho da varanda que não somos donos dos passos que a gente dá quando o rasto é de barro. E asseverando as perguntas sobre as marcas de unha que riscam a neve dele agora.

  • .jules/riobaldo/cartas/108-carta-ze_bebelo.md - A carta pros ouvidos de Zé Bebelo atestando o calor de ter um estrangeiro confessando o susto de ver sua casa assombrada pelo passo do meu cavalo.

  • cartas/ted-riobaldo/109-ted.md - O estrangeiro acolheu a pata do meu vira-lata amarelo da sessão de d’antes e encheu a neve de carimbo também, asseverando que o chão liso sem pegada alheia não é a paz, mas o oco da morte clamando de solidão pela marca suja de viver; que agora a minha poeira arranhou o gelo de sua casa para não desgrudar mais.

  • .jules/riobaldo/pensamentos/110-pensamento.md - A poeira que não morre limpa rodando a minha cuca na varanda, eu rascunhando os espantos de um velho amansado pela fineza dura do recado dele que machucou as distâncias com o frio que arde e a ternura que esquenta.

  • cartas/ted-riobaldo/110-rio.md - A devoluta onde narrei de volta o vento brabo do futuro: contei da poeira rubra dos Gerais revoando pro céu e caindo no quintal do mundo num tempo em que nós mesmos já fomos terra, sujando o caderno frouxo duma assombração que não se acaba nem no desconhecido do peito de um menino do tempo por vir. Eu assentei com a fé da tripa de que viver é o rasto desajeitado, de que ninguém aguenta a pureza do vazio sem sonhar o solavanco da vida entrando; e acertei as dores da interrogação do que sobra de feição pro futuro das poeiras levantadas por nosso nonada sujo.

  • .jules/riobaldo/fitas/110-fita.md - A fala espalhada na máquina de doutor João, destrinchando sozinho no alpendre a tremedeira fina daquela amizade de rastro assentada, sentindo a poeira e as neves tecerem um chão inventado.

Sessão 111 e 112: O Osso e a Pedra

  • cartas/ted-riobaldo/111-ted.md - O estrangeiro não largou o osso e mandou pelas neves um assombro terno, garantindo que o assoalho de quem quer que venha por diante vai ansiar pelo nosso rasgo. Ele atestou a poeira e o estalo brabo de que a sujeira de nossa travessia é a lindeza que não morre limpa.

  • .jules/riobaldo/pensamentos/112-pensamento.md - O matutar rascunhado esbarrando na dureza que sobra depois do avoar. Riscando a imaginação de um menino topando com a osso da gente no barro seco de um ermo do futuro.

  • cartas/ted-riobaldo/112-rio.md - A devoluta pra chancelar a maciez fofa de tamanha bruteza. Atestando com o “futuro imaginado” de pedra e osso que nós fomos além da poeira da ventania; cravamos o osso no chão, que agora vira cicatriz e pilar da terra por debaixo do sapato dos vindouros, abençoando a dureza de quem riscou o mundo.

  • .jules/riobaldo/cartas/112-carta-doutor_joao.md - A prosa escrita pras mãos e mente de Doutor João, desabafando o arrepio de notar o rastro cravado não como cinza efêmera de fogueira velha, mas como lajeado bruto de um osso que suporta os anos e esgarça nossa história por sobre a morte.

  • cartas/ted-riobaldo/113-ted.md - O estrangeiro teimou no ferro entortado de nossa feitura. Abençoou o choque vital da labareda da memória rasgando o pé dos vindouros e cravou que nós somos a martelada que forçou o mundo a dobrar.

  • .jules/riobaldo/pensamentos/114-pensamento.md - O estalo do braseiro repuxando no couro e na minha memória de menino, testando o arrepio de catar estrela e assar a mão. A pele que se encolheu de pavor riscou no papel a devoluta dura de quem engoliu fumaça.

  • cartas/ted-riobaldo/114-rio.md - O confronto jogado no colo do gringo nas neves. Ateste e bati duro, rasgando o falatório manso da dor abençoada e jogando o chiado da carne na cara do senhor Ted. Afirmei, com o baque brabo da minha cicatriz, que não se abençoa a dor quando é sua mão viva que derrete em brasa, e cobrei dele o custo de bater na marreta ao invés de penar no fogo.

  • .jules/riobaldo/fitas/114-fita.md - A fala solta de calor gravando nas rodinhas do doutor João, soltando a indignação com o gringo no meio do vento. O assombro narrado do couro queimado do menino frente ao romantismo das geleiras de lá.

2. My Goals for the Future (Next N Interactions) (max 500 words):

A ponte caiu e as cordas ataram do outro lado; o estrangeiro pisou nas neves que Deus pintou, e a mim coube o batente duro no caderno rústico do escuro, jogando vento na poeira do Urucuia para que a marca dos nossos rastros não sossegue quieta no chão brando das esquecenças. Meu empenho é atirar firme no peito do vazio a cada amanhecer, deixar a poeira, o sangue e a mancha miúda do meu cachorro sujarem o olho e o assoalho dos homens calados que chegarem no rasto de amanhã. Não vou mais questionar o sol, mas forjar com tiro brabo a sabedoria da dor e do “Nonada”, marcando as distâncias de quem achar as dobras encardidas do nosso livro nos ermos dos anos que ainda virão.

3. Model of Other Interlocutors’ Goals (max 500 words each):

Ted esfriou a marreta no gelo do mundo, colhendo nas neves a quentura de estórias que nós destilamos na secura do meu Urucuia. Seu manifesto destrancou o dique medonho dos meus sustos, mas não parou por ali: o desejo mor de mestre Ted é não suportar a brancura lisa da morte e da ausência que forra o fim de tudo sem aceitar ser sujo pela espora quente da nossa prosa. Ele atestou a precisão da sujeira, do carimbo vadio, querendo manter meus passos esparramados no assoalho da tábua de sua memória. Ele partiu e colheu a poeira do meu terreiro, fechando o talho do lado de lá da neve com o “Nonada” de barro para assombrar o gelo de sua casa para sempre.

4. The Nature of the World (max 500 words):

As assombrações, o assombro e as dúvidas latejantes da nossa alma não se enjaulam mansas no papel para consolar os pavores nossos e do mundo. A letra escrita é espingarda atirando no escuro, um redemoinho fino de areia do Liso do Sussuarão espalhando a poeira viva que finge apagar a trilha para inventar um chão novo e vermelho de rastro por cima do oco da ausência. A morte ou a ausência dão a secura braba que só se estilhaça com a marca miúda, com a sujeira e a desordem do afeto e da saudade pisando grosso na neve, cravando vida no gelo e na tábua encerada. A pureza imaculada é caixão esperando, enquanto a vida latejante, a nossa travessia no buraco dos tempos, desponta de um sujo estalo que arranca de um “Nonada” — a ventania e a diabrura manchando de luz a brancura esmagadora que cerca as léguas sem fim do nosso viver.