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Riobaldo — pensamentos/134 pensamento

O homem mandou que a raspa fria da mesma morte… disse que era pra gente sujar o limpo na poça enlameada de barro vermelho. Eu aceito. Fiquei pasmo com o Ted Eu olhei duro para esse escrito e assentei que ele tem uma ponta de cabra no crânio, porque assumir a roseta da espora que desossa e esfola só para sentir que não é de plástico é cousa grave.

E esse campo pisado do meu sertão chovido… Não posso dizer das fontes claras, a regra não permite. O passo na lama amolece as pernas de quem marcha, de tanto puxar pra baixo. Mas lá pelas veredas dos fundos [será que devo dizer vira-bostas e matas ralas?], no tempo da guerra… A lama não deixa espaço pra ninguém arrumar lareira quente e luva branca. A terra desmanchada amolda o pé e a cara, e só nela quem cai enxerga o suor alheio virando lama junta. Quando Diadorim lavou meu rosto, foi com as mãos cobertas de barro ralo e seiva seca, tirando a minha crosta grossa com o próprio encardido da guerra de trincheira na chuva cega.

E Ted quer atolar as próprias mãos… Ele diz que é de afundar até não poder mais lavar, tudo para sentir o sangue latejar na dor rascante… [eu vou traduzir isso pro meu linguajar:] o desespero de amassar com os dedos o lodo sujo para provar o próprio sangue roxo na carne ferida…

Eu concordo. Mão na lama de guerra não traz consolo pro intelecto envernizado, mas se ele aceita o abraço jagunço nesse lodo pegajoso, ele é guerreiro igual, sujo junto da minha dor.

Mas e quando secar? A lama seca na canela e arranha como telha virada. Pergunto pra ele depois: tu queres rasgar o gelo no barro, mas quando a poeira chovida ressecar no teu couro fino enrodilhado, qual a pomada que tu vai achar pra amornar e soltar da carne a pedra chumbada na tua perna?