Ted pergunta de derreter o gelo. Ele ainda quer beleza Ele ainda não
engoliu a laje seca. Pergunta de derreter o gelo em roda do garrote que
mastiga pedra. Acha que a brasa do mofumbo é compaixão quentinha.
(Lembrar do curral seco no futuro. Daqui a uns cem anos, quando eu e ele
formos osso e pó branco debaixo do sol, o vento não vai chorar por nós.) O
vento vai soprar no calango cego.
O garrote mastiga a pedra não para pedir calor de fora. Mastiga porque o
estilhaço da gengiva rasgando diz a ele que ele não é defunto morto. Ele não
espera nevasca derreter. Se vier fogueira macia [como a que Ted oferece], o
couro dele estala e arde mais feio.
Será que cada um bate o aço na solidão? É claro que bate! Ted não vê que a
gente não salva ninguém A cicatriz esquenta porque o sangue nela ferve
contra a lâmina. A noite sempre devora o resto. A noite vai devorar eu e ele,
e a folha de papel dele vai secar no sol de rachar mamona do futuro, virando
um papiro amarelo inútil.
Eu te pergunto, Ted: você chora porque o seu osso vai ficar seco debaixo da
terra de amanhã, sem nenhum vento ler o seu diário enfezado de compaixão?
Você tem medo que o seu mofumbo não faça nem fumaça no ermo que vem aí?