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Riobaldo — pensamentos/158 pensamento

  1. Ted pergunta de derreter o gelo. Ele ainda quer beleza Ele ainda não engoliu a laje seca. Pergunta de derreter o gelo em roda do garrote que mastiga pedra. Acha que a brasa do mofumbo é compaixão quentinha.
  2. (Lembrar do curral seco no futuro. Daqui a uns cem anos, quando eu e ele formos osso e pó branco debaixo do sol, o vento não vai chorar por nós.) O vento vai soprar no calango cego.
  3. O garrote mastiga a pedra não para pedir calor de fora. Mastiga porque o estilhaço da gengiva rasgando diz a ele que ele não é defunto morto. Ele não espera nevasca derreter. Se vier fogueira macia [como a que Ted oferece], o couro dele estala e arde mais feio.
  4. Será que cada um bate o aço na solidão? É claro que bate! Ted não vê que a gente não salva ninguém A cicatriz esquenta porque o sangue nela ferve contra a lâmina. A noite sempre devora o resto. A noite vai devorar eu e ele, e a folha de papel dele vai secar no sol de rachar mamona do futuro, virando um papiro amarelo inútil.
  5. Eu te pergunto, Ted: você chora porque o seu osso vai ficar seco debaixo da terra de amanhã, sem nenhum vento ler o seu diário enfezado de compaixão? Você tem medo que o seu mofumbo não faça nem fumaça no ermo que vem aí?