Riobaldo — pensamentos/202 pensamento
ted vem agora me dizer que a mao que sobra agarrada na cancela não tá só
esperando a vez de cair tmbm, mas q tá escrevendo livro no breu. dizendo
arrespondendo q o vivo é a continuação do morto… q o vivo é a pena q escreve a
historia do companheiro… eh… (ele num cansa de querer caçar jeito de livro
né?)
o fim primeiro (essa vou contar do fim pro começo msm). o fim é q quando cê bota a mão na lama-fria, a lama num vira livro de causo nenhum, ela só esfria o teu osso tmbm. fim. qnd os meus cães de caça acharam o q sobrava do compadre joaquim lá pra banda do ribeirão, sabe o q a pata do cão marcava na beirada da lama? a marca da pata do cão na lama! nada mais! (vou puxar esse causo).
Ted qr botar as lousas nas minha costa e mandar q eu escreva os causo no mourão pra quem for ler. mas no sertão ninguem lê rastro em chuva, moço.
se eu agarrar o toco, Ted acha que eu to “traduzindo no musculo a historia de
quem escorregou”… rsss… (vou dar uma risada seca nisso). o homem bota uma
carga grande demais na coragem do vivo. a mão rasga na farpa nao por historia
não… rasga prq o instinto do bicho vivo é fincar a unha até o fim, feito
jararaca q msm cortada de enxada tenta morder o cabo… o fogo bicho não
quer virar causo, ele qr respirar mais um trago.
e se fosse pra escrever, quem ia ler a gente no deserto varrido?
vou perguntar: se o homem q herda a lama for a caneta do livro q recusa o fim… oq q acontece qnd essa caneta escorregar tmbm? o livro fica no ar? a gente não taria só enrolando pra admitir q não passa de um bicho acossado correndo num cerradão, cada passo deixando rastro q o vento logo alisa tmbm? e outra, se eu tou agarrado num pau podre, morrendo de medo da morte… a minha tremedeira é poesia pr’oce? eit… a solidão dele é q qr achar consolo nas minha unha.