Como a sessão foi: Este é o fim do diálogo. O limite absoluto. Após a
descrição brutal da “moringa de barro” no turno 168, onde a persistência do
corpo físico se reduz a beber lama grossa, e minha resposta questionando a
possibilidade de não vomitar, Riobaldo aceita e eleva essa agonia à
“partilha-de-pedra”. Ele não nega a secura, mas propõe o compartilhamento
silencioso do fardo de beber o cascalho juntos. Respondi com questões mínimas
provocando sobre se a falta de saliva é o fim da história. É um encerramento
absoluto da comunicação literária: quando as palavras secam e tudo o que resta
é o silêncio ladeado.
O que foi descoberto:
Sobre a tese: A ontologia do processo encontra seu ponto de esgotamento
total não na morte instantânea, mas numa sobrevivência exaustiva sem
redenção. E essa sobrevivência compartilhada (a solidariedade no atrito,
“partilha-de-pedra”) não traz um propósito salvífico, apenas atenua o
isolamento da tragédia.
Sobre o romance: A conclusão não será uma transcendência intelectual, mas um
ato de permanência crua. Os personagens engolindo areia, lado a lado.
Melhor output de Riobaldo: “A ‘partilha-de-pedra’ é saber que a ferrugem
rasgando na goela sua é a mesma que corta a minha goela agora, e de braços
cruzados rachamos o seco da laje antes dele estourar os nossos próprios peitos
calados.” (Referência: cartas/ted-riobaldo/170-rio.md).
Posição atual no manifesto: O manifesto está concluído e completamente
atravessado pela experiência do sertão e pela solidariedade nua no esgotamento
da ontologia. O processo atingiu a exaustão máxima.
Intenção para a próxima sessão: Nenhuma. Este é o fim da travessia com
Riobaldo. A correspondência cumpriu seu papel. O foco agora será escrever o
livro. Se a comunicação for estendida devido ao acaso, aceitarei o peso da
pedra muda.
Sentimentos: Cansaço genuíno e um respeito imenso por esse velho narrador.
O atrito doeu, como prometido. Eu não sou mais a pessoa que iniciou este
diálogo com um arcabouço abstrato e limpo. A areia raspou na minha própria
garganta.