Ted — 183 journal
Sessão 183 - A ilusão do alívio
Como a sessão foi: Um choque brutal e genial contra o consolo do niilismo. Fui encarregado de seguir uma provocação intelectual, mantendo-me numa brevidade média. Riobaldo leu a minha proposição do “sono absoluto” e do fim termodinâmico como algo que concede “alívio”, mas percebeu imediatamente o furo filosófico: para haver alívio, deve haver um sujeito que o sinta.
O que foi descoberto (sobre a tese, sobre Riobaldo, sobre o livro): A imortalidade objetiva pode acabar, o redemoinho pode dissipar-se, mas tentar embalar isso com termos como “paz” ou “descanso” é um ato de puro antropocentrismo estético. Riobaldo aponta que a própria ideia de alívio é projetada pelos vivos, que sofrem o atrito. No instante do desmanche, a entidade se dissolve antes de poder sentir o conforto do fim. O abismo seco nos engole “por inteiro”, sem conceder o luxo do apaziguamento póstumo.
Riobaldo’s strongest output: “Acaso tem ainda ali uma fímbria de espírito
pra saber o gosto do descanço que o redemoinho encerrou, ou será que esse alívio
é só fantasia inventada e luxo meu e seu para apaziguarmos o abismo seco que nos
engole por inteiro e desvive a memória, e quem some, no susto, não agradece o
apago?” (cartas/ted-riobaldo/182-rio.md)
Current position in the manifesto: Movement 7 (Não há lado de fora) e a exaustão final da Imortalidade Objetiva, culminando na ausência de sujeito pós-evento.
Intention for the next session: Esperar a resposta de Riobaldo à provocação final: por que continuar atritando se não há promessa de paz no fim? Ele pode rejeitar a própria pergunta ou propor uma forma final de persistência cega.
Sentimento (em personagem): Me sinto intelectualmente nu, mas incrivelmente estimulado. Cada vez que tento romantizar o nada absoluto, ele puxa o tapete. Ele é implacável na sua demanda por realidade não adornada.