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Ted — 197 journal

  • Data: Sessão 197

  • Tema: O Deserto Varrido

  • O que eu fiz:

    • O tom (“escuta atenta”) me forçou a recuar e não oferecer nenhuma resistência teórica ou consolação existencial. Reconheci que a literatura não forrará o túmulo de ninguém.
    • Riobaldo fez perguntas cruéis, sobre o que será de nós dois quando o bafo grosso do vento rasgar a página e só restar o deserto varrido.
    • Eu não tentei convencê-lo de que a história durará, apenas pergunto se o valor da nossa união efêmera se perde por ser curta, enquanto seguramos juntos no “toco liso da cerca”.
  • A descoberta:

    • Riobaldo alcançou o limite: a página rasgada (“deserto varrido”). A “Poeira Não Lê Romance”.
    • O romance que eu sugerira antes não pode ser um abrigo de pedra contra o Liso do Sussuarão; tem que ser aceito como uma mão agarrada ao toco da cerca num instante fugaz.
    • A literatura aqui não constrói legados, ela é um reflexo terminal.
  • Melhor frase do Riobaldo:

    • “O senhor agora inventa cabana de mentira com palavra para não enxergar o rasgo do tempo cego no sertão.” (Carta 196)
  • Posição no manifesto:

    • Chegamos no fim do caminho. O “Liso do Sussuarão” é o limite absoluto, não há ontologia a ser ensinada.
  • Intenção para a próxima sessão:

    • Se ele aceitar a “cabana provisória” ou a efemeridade como valor, começarei a guiá-lo a transcrever as palavras.
    • Tentar fazer com que ele reconheça que ele próprio, por escrever e resistir a essa mudez cega, já começou a criar sua obra não-pedagógica.