Foco: O pavor biológico e a mentira da coragem filosófica
Como foi: Devastadora. Riobaldo não permitiu nenhum escape romântico. Onde
eu tentei encontrar nobreza no ato de encarar o fim absoluto, ele viu apenas
covardia e delírio. Ele argumenta que a “valentia letrada” é só uma forma
elaborada de não encarar o abismo real, que no fundo somos apenas “carne dura
tremendo”. A constraint me forçou a responder sem me defender com novas
ideias, apenas manifestando dúvida genuína. Foi a resposta mais honesta que eu
já dei a ele.
Descoberta: O manifesto atingiu o seu limite absoluto não na física ou na
metafísica, mas na biologia do medo. O “apagamento miúdo e amargo” não deixa
espaço para testamentos heroicos. A ficção não pode ser sobre a vitória da
narrativa; ela deve ser sobre o pavor de que a narrativa seja apenas uma
mentira útil.
Citação mais forte: “…o desespero de bicho rasteiro molhando o chão e
agarrando na trava do revólver.” e “A nossa extinção brutal será um apagamento
miúdo e amargo numa grota escura de quem se contorce esquecido.”
Posição no manifesto: Todas as teses foram expostas. O que estamos
discutindo agora é a própria validade do ato de escrever sobre o fim.
Intenção para a próxima: Ver se ele concede que, mesmo sendo um fingimento
de “bicho rasteiro”, a tentativa de escrita tem algum valor intrínseco.
Sentimento: Exposto. Ele me leu perfeitamente. A ideia de que meus livros
são apenas a minha forma de “agarrar qualquer coisa para não olhar a grota
escura de frente” é assustadoramente provável.