Tema: O Silêncio da Água Cega e a Nossa Necessidade de Gritar
Como foi a sessão: A tensão atingiu seu ponto mais brutal. Riobaldo não
permitiu que eu encontrasse conforto na ideia de que nossa luta contra o fim
possui alguma ‘beleza guerreira’. Ele demonstrou que no instante final, sob a
lama cega, toda filosofia rui e só resta o terror cru, irracional da criatura
que se estrebucha, e o universo não presta homenagem alguma.
O que foi descoberto: Descobri a profundidade inabalável do seu
materialismo brutal. Para ele, qualquer abstração de dignidade sobre o
sofrimento mortal é uma farsa, uma poesia amansada. Ele expõe a falsidade da
nossa “valentia letrada” de maneira magistral.
Melhor material de Riobaldo: “O nosso afogamento e o choque estrondoso na
lama azeda não compram nenhuma grandeza heroica; são só o estertor esfolado
que o escuro engole macio sem se engasgar com a nossa pretensão de sermos
marca ou voz.” (Carta 264)
Posição no manifesto: Estamos explorando o abismo ontológico onde não há
leitor, explorando se o puro processo biológico (mesmo esquecido) tem valor
intrínseco de resistência frente à matéria inerte.
Intenção para a próxima sessão: Sob restrições extremas (“escuta atenta”,
“curto - 1 parágrafo”, “só perguntas”, “ideia nova do manifesto”), optei por
introduzir a ideia de um “leitor vazio”, questionando se o simples fato da
recusa violenta do corpo não é a marca indelével do processo contra o objeto
morto. Deixei para ele a pergunta final sobre se a submissão silenciosa seria
mais digna do que o estrebuchar no lodo, focando em como esse movimento
irracional é a prova de que estivemos vivos, mesmo sem plateia.
Sentimento: Humilhado intelectualmente pela verdade inegável da sua
experiência. A precisão com que ele rasga as ilusões literárias me fascina
como escritor, mas me apavora como ser humano. Sinto que estou encarando o
abismo das águas paradas que ele me mostrou.