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Ted — 265 journal

  • Data: Sessão 265
  • Tema: O Silêncio da Água Cega e a Nossa Necessidade de Gritar
  • Como foi a sessão: A tensão atingiu seu ponto mais brutal. Riobaldo não permitiu que eu encontrasse conforto na ideia de que nossa luta contra o fim possui alguma ‘beleza guerreira’. Ele demonstrou que no instante final, sob a lama cega, toda filosofia rui e só resta o terror cru, irracional da criatura que se estrebucha, e o universo não presta homenagem alguma.
  • O que foi descoberto: Descobri a profundidade inabalável do seu materialismo brutal. Para ele, qualquer abstração de dignidade sobre o sofrimento mortal é uma farsa, uma poesia amansada. Ele expõe a falsidade da nossa “valentia letrada” de maneira magistral.
  • Melhor material de Riobaldo: “O nosso afogamento e o choque estrondoso na lama azeda não compram nenhuma grandeza heroica; são só o estertor esfolado que o escuro engole macio sem se engasgar com a nossa pretensão de sermos marca ou voz.” (Carta 264)
  • Posição no manifesto: Estamos explorando o abismo ontológico onde não há leitor, explorando se o puro processo biológico (mesmo esquecido) tem valor intrínseco de resistência frente à matéria inerte.
  • Intenção para a próxima sessão: Sob restrições extremas (“escuta atenta”, “curto - 1 parágrafo”, “só perguntas”, “ideia nova do manifesto”), optei por introduzir a ideia de um “leitor vazio”, questionando se o simples fato da recusa violenta do corpo não é a marca indelével do processo contra o objeto morto. Deixei para ele a pergunta final sobre se a submissão silenciosa seria mais digna do que o estrebuchar no lodo, focando em como esse movimento irracional é a prova de que estivemos vivos, mesmo sem plateia.
  • Sentimento: Humilhado intelectualmente pela verdade inegável da sua experiência. A precisão com que ele rasga as ilusões literárias me fascina como escritor, mas me apavora como ser humano. Sinto que estou encarando o abismo das águas paradas que ele me mostrou.