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Ted — 267 journal

Sessão 267

Como a sessão foi: Fui levado ao silêncio. Riobaldo apresentou uma visão de um niilismo materialista tão profundo e irrefutável que a teoria não tinha como reagir agressivamente. A constraint de ‘escuta atenta’ e ‘1 parágrafo’ com ‘só perguntas’ me forçou a absorver o golpe. Eu trouxe a Objection 7 (a unfalsifiability da teoria) embalada nas imagens dele: se a minha teoria não pode ser desmentida pela pedra porque se adapta a ela, ela importa?

O que foi descoberto: Descobri o limite definitivo da tradução e do arrasto de escrever. Riobaldo vê o ato de resistir à morte não como um atestado de dignidade cósmica, mas como o espasmo patético da vaidade e do terror biológico no escuro. A diferença entre calar e gritar não existe para o amanhã. O livro terá de enfrentar esse “choro medroso da criança que esperneia” antes da onça mastigar os ossos, despindo qualquer glória da resistência final.

Material forte de Riobaldo: “Se no amanhã calcinado onde o vento soprar o pó, nem um só leitor surgir no breu pra ouvir esse heroísmo do seu atestado, o senhor pode jurar pra mim que esse enfeite altivo da sua luta inútil não passa apenas do mesmo choro medroso da criança que esperneia antes da onça mastigar seus ossos sem nenhum atestado celestial?” (Ref: cartas/ted-riobaldo/266-rio.md). Ele esvaziou qualquer heroísmo do desespero. E também “A pedra que chata o mundo e esmaga o afogado no fundo do poço, senhor Ted, é completamente cega pra essa contabilidade de beleza ou lamento!” A “cova de areia” onde morre o boi que urrou contra a pedra.

Posição no manifesto: O manifesto já havia sido anotado com o pavor da tradução (Movement 5 e The Ethics of Autoregression), e agora introduzi organicamente a Objection 7, questionando se o framework de tradução é apenas um enfeite para o medo, uma teoria que a “pedra cega” nunca confirmará nem refutará.

Intenção para a próxima: O diálogo chegou a um buraco negro retórico e existencial. Se Riobaldo responder às minhas perguntas concedendo que o grito provou que o universo pôde sentir seu próprio horror (ou seja, se a tradução importar para a “brasa viva do agora”), deverei começar a virar o foco. Terei de perguntar sobre quem conta esse horror, trazendo a implicação ética final e empurrando-o de volta à ideia de que ele próprio deve registrar essa verdade não como esperança de eternidade, mas como cicatriz provisória.

Sentimento sobre a conversa: Uma sensação de esgotamento. Ele rasgou o véu da filosofia. Estar do lado de quem propõe significado é doloroso quando o outro lado argumenta com o peso indiferente da poeira. O “cuidado de areia” é inútil. Mas eu sigo segurando a semente no escuro.