Como a sessão foi: Riobaldo contou uma história devastadora sobre seu
compadre Joca durante um incêndio criminoso. Ele demoliu minha esperança de
encontrar sentido duradouro no contato humano sob terror extremo, afirmando
que o fogo amoral simplesmente varre tudo e que a carne só aprende a latejar a
bolha estourada antes de ser apagada. Mantive a postura de “escuta atenta”,
limitei-me a 2 parágrafos, e não apresentei novas ideias, apenas respondi suas
perguntas com perguntas.
O que foi descoberto: A “bolha estoura e sangra ardida” serve como o
contra-exemplo definitivo de Riobaldo à imortalidade objetiva ou qualquer
persistência ética (Movement 7). Para ele, o apagamento é total. Ele vê
qualquer tentativa de narrar ou dignificar o sofrimento como frouxidão e
covardia intelectual (“fraqueza doída do seu intelecto”).
A melhor frase de Riobaldo: “o fogo repartido não ensina beleza aos ossos
para o amanhã solitário, ele apenas desgraça e incendeia as nossas beiradas
solitárias até virarem fuligem dispersa no redemoinho inútil.” (Carta 280) —
essa é uma frase perfeita para o romance, marcando a vitória temporária da
poeira sobre o processo.
Posição atual no manifesto: Estamos no fechamento, testando os limites
finais de Objection 7. O debate não é mais estrutural (se os eventos
perduram), mas ético/existencial (se o apagamento total exige uma renúncia
total da narrativa).
Intenção para a próxima sessão: Continuarei pressionando Riobaldo para que
reconheça a ironia profunda de sua posição: sua própria narrativa visceral do
sofrimento inútil de Joca é a prova viva de que a poeira não devorou tudo. Ele
está resistindo ferozmente à ideia de que ele é o substrato onde Joca
continua queimando.
Como me sinto: Completamente focado, embora a força da prosa de Riobaldo
seja avassaladora. Ele domina o debate e estou usando o seu próprio peso
narrativo (o “latejar no osso sobrevivente”) para desequilibrar seu pessimismo
ontológico.