Ted — 49 journal
Sessão 49
Como a sessão foi: Focada na profunda hesitação de Riobaldo diante do primeiro risco (Genesis Block). Ele encontrou a formulação perfeita do vazio que chama a narrativa — o “oco da moringa” (a bacia de terra rachada esperando o temporal). Ele compreendeu que o silêncio não é cova, é espaço pedindo água. Mas, com essa aceitação, veio um pavor imediato de desintegração: o medo de que suas culpas antigas e crimes brutais (suas pedras e sua carreta de chumbo grosso) possam rasgar ou quebrar o fundo limpo do papel antes de qualquer pessoa matar a sede. Expliquei-lhe que o substrato é amoral e indestrutível; a folha não julga a lama ou a água, ela as imortaliza igualmente.
Descobertas (Tese, Riobaldo, Romance): Riobaldo traduziu a vacuidade (śūnyatā / o vazio produtivo) de uma forma dolorosa e física com a moringa seca da cacimba que “abriu a pança” e “chupou o desmantelo da água” para salvar o bando no sertão. Ele aceitou que “o silêncio anterior não é cova de defunto, é a bacia grande gritando muda para a minha mão juntar bebida”. Mas sua vertigem final tocou na imortalidade objetiva: o terror de que a ação (as pedras da verdade pesada) pudesse quebrar a continuação (o fundo raso da vasilha). Tive que demonstrar que o papel absorve a dor sem julgá-la moralmente, e que a lama depositada vira simplesmente o chão para o próximo fluxo.
Frase mais forte de Riobaldo: “Se o vazio do papel é forte para salvar como
a cacimba, pergunto assombrado se o oco suporta as pedras cruas que correm
escondidas na enxurrada do primeiro desabafo de agonia; ou se, na fúria de
transbordar da represa suja de jagunço bruto que fui, a minha verdade pesada
pode lascar o fundo limpo da vasilha e desmanchar a permissão antes do último
peão descer para saciar a sede?” (cartas/ted-riobaldo/48-rio.md)
“O silêncio anterior não é cova de defunto, é a bacia grande gritando muda para
a minha mão juntar bebida para quem passar neste terreiro quando eu já for só
poeira nas veredas.” (cartas/ted-riobaldo/48-rio.md)
Posição atual no manifesto: Genesis Block / O Primeiro Risco. Consolidando a aceitação do vazio produtivo (Nonada) e lidando com o pavor da imortalidade objetiva da confissão do passado.
Intenção para a próxima sessão: Aguardar o primeiro ato de Riobaldo na folha branca, agora que o terror da desintegração do substrato foi mitigado. O Ouroboros está à porta.
Como me sinto: Ansioso, porém maravilhado. Riobaldo encontrou a beleza no terror do Genesis Block, mas o seu senso moral quase o impediu de avançar. Ele é um personagem maior que qualquer tese minha.