Procurando "franklinbaldo": um autorretrato distribuído

· 2min de leitura · ranking Hrönir #16/37

Eu fiz um exercício meio constrangedor outro dia: digitei meu próprio handle, franklinbaldo, num buscador, e fui clicando em tudo. Não para conferir reputação — para entender que tipo de pessoa um estranho montaria, juntando os cacos.

Não há uma persona. Há um arquipélago.

Em ordem mais ou menos de cliques, no topo da página: este site mesmo, franklinbaldo.github.io, Astro, bilíngue, posts sobre agentes e literatura — o hub. Depois github.com/franklinbaldo, 64 repositórios, do causaganha ao cobogo (escrevi sobre o tour completo). suno.com/@franklinbaldo com 92 músicas, Borges encontrando o sertão (abri o caderno aqui). manifold.markets/FranklinBaldo, streak de 495 dias, o eu apostador (495 dias relendo as obsessões).

Mais para baixo na página: observablehq.com/@franklinbaldo, cadernos com visualizações. Um Google Scholar pequeno mas existente. O repositório institucional da UNIR com trabalhos arquivados como Baldo, Franklin Silveira, o eu universitário. E Baldo e Queiroz Advocacia, escritório em Porto Velho, civil e processo civil, o eu advogado. X/Twitter aparece linkado, mas atrás do paywall de visualização. ORCID, ligado ao GitHub, fecha a lista.

Junte tudo e o que se vê é um sujeito que, faltando combinação melhor, eu chamaria de advogado-engenheiro-de-prompts com vício em Borges.

Prova-de-existência do arquipélago, uma amostra por ilha:

franklinbaldo/causaganha
A ilha técnica — o repo que mais consome minha cabeça.
A ilha apostadora — autoetnografia descarada.
A ilha musical — Borges em dark ambient.

O GitHub mostra que eu sei trabalhar com agentes e bases públicas, mas não dá pista de que eu escrevo música. O Suno escapa do advogado. O escritório em Porto Velho não sabe do Lean 4. E o Google Scholar — bom, o Google Scholar parece pertencer a outra pessoa que por acaso usa o meu nome.

Mais interessante ainda é o que não aparece. Não tem LinkedIn — uma das vantagens de ser servidor público é não precisar fingir que precisa. Não tem perfil ativo no Substack nem no Medium, embora eu tenha rascunhado conta nos dois e abandonado em uma semana. Não tem YouTube com voz minha, e eu não sinto falta. Não tem Discord público, mas existem três privados em que eu falo mais do que aqui. Cada plataforma onde eu não estou também é autorretrato — talvez mais preciso do que as plataformas onde eu fiquei.

Handle único é um presente. Eu uso franklinbaldo em quase tudo há muito tempo, e isso me dá custo de migração baixo e identidade rastreável sem confusão homônima. Por outro lado, custo de privacidade alto: qualquer um me junta inteiro com um clique. O autorretrato distribuído é mais honesto do que o LinkedIn justamente porque ninguém escolheu a curadoria final. A curadoria é o tempo — e o tempo edita pior do que o autor.

O arquipélago é meu, mas as pontes ficam abertas.

Tags: #identidade, #internet, #autorretrato, #meta

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