
Letra
[Verso 1]
Olhe: o caminho que o senhor conta, que vai contando,
esse não é o caminho de verdade não, moço.
O caminho mesmo, o eternável, esse a gente não fala.
E o nome? O nome que a gente dá nas coisas, que vai nomeando,
esse também não é o nome derradeiro, o nome que permanece.
Será não é?
[Coro]
O que não tem nome, esse sim é o real de sempre-sempre,
desde antes de antes.
Mas dar nome, ah, dar nome é o começamento de tudo quanto é coisa miúda que existe,
cada bichinho, cada folha, cada pedra de caminho.
[Verso 2]
Pois olhe: quando o senhor não quer nada, quando tá livre desse querer que atormenta -
porque querer é uma aflição, o senhor sabe -
aí sim o senhor esbarra no mistério, dá de cara com ele.
Mas se tá preso no querer, enredado que nem bicho em arapuca,
aí só vê as cascas, as aparências mentirosas, o engano que o mundo arma pra gente.
[Ponte]
Mas escute o que eu digo: mistério e casca, os dois brotam do mesmo lugar,
da mesma fonte escura. Dessa treva que a gente não entende mas que está aí, sendo.
Treva dentro de treva, escuridão fechada, que nem noite de sertão sem estrela.
É o umbigo de todo saber, moço. A porteira que se abre pro entendimento de tudo quanto há.
[Outro]
O senhor entende? Eu conto, mas será que eu sei?Você também pode gostar
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