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Canção

Eu ia escrever sobre o infinito de novo.

Música de Franklin Baldo — Eu ia escrever sobre o infinito de novo.

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Letra

[INTRO - SPOKEN]
Eu ia escrever sobre o infinito de novo.
Mas aí você respirou do meu lado
e o mundo inteiro coube nesse som.
Então é isso.
Hoje eu canto o pequeno.

[VERSE 1]
Tem um copo na pia,
tem luz da rua cortando a sala,
tem a geladeira roncando baixo
como um bicho que sonha.

E eu, no meio disso,
tentando ser profundo—
mas a profundidade agora
é aprender a não acordar ninguém
quando eu piso no corredor.

Lá fora o céu faz suas contas,
faz seus ramos, suas variações,
mas aqui dentro
um cobertor torto
já é um universo em manutenção.

[PRE-CHORUS]
Porque a vida não grita “totalidade”,
a vida sussurra “agora”.
E “agora” é sempre pouca coisa—
e é por isso que vale.

[CHORUS]
Se existe tudo,
eu escolho isto:
teu nome dito devagar
pra não quebrar o silêncio.
Se existe tudo,
eu escolho isto:
minha mão achando a tua mão
como quem encontra sentido.
E o resto—
o resto pode ser infinito,
mas eu moro nesse instante
e isso me basta.

[VERSE 2]
Você me pergunta, sem perguntar,
por que eu fico acordado.
Eu digo “insônia”,
mas é outra palavra:
responsabilidade.

É que o mundo é grande demais
pra caber no peito sem machucar,
então eu faço o que dá:
arrumo as cadeiras,
fecho a janela,
desligo a TV do apocalipse
e volto pro essencial.

Um dia a gente some,
eu sei, eu sei—
mas antes disso
tem café pra amanhã,
tem roupa no varal,
tem um remédio às seis,
tem um beijo na testa
que reorganiza o caos.

[PRE-CHORUS 2]
E eu entendo, sem entender:
não é que o universo seja frio—
é que ele é grande.
E o calor acontece
quando alguém decide ficar.

[CHORUS]
Se existe tudo,
eu escolho isto:
teu nome dito devagar
pra não quebrar o silêncio.
Se existe tudo,
eu escolho isto:
minha mão achando a tua mão
como quem encontra sentido.
E o resto—
o resto pode ser infinito,
mas eu moro nesse instante
e isso me basta.

[BRIDGE - SPOKEN]
Dizem que a realidade é um recorte.
Uma janela que se move.
Talvez.
Mas hoje eu aprendi outra coisa:
o recorte também é um voto.
E amar é votar no mesmo ramo
toda noite, de novo.

[BRIDGE - SUNG]
Eu não salvo o mundo,
eu não resumo o mar,
eu não desenrolo
as equações do azar—
mas eu acendo uma lâmpada
quando você tem medo,
eu viro o travesseiro
pro lado mais fresco.

E nisso, sem espetáculo,
eu sinto:
o universo olhando pra si
por um segundo
e sorrindo.

[FINAL CHORUS]
Se existe tudo,
eu escolho isto:
o pequeno que não cabe em teoria,
mas cabe no peito.
Se existe tudo,
eu escolho isto:
um mundo do tamanho do quarto
e a coragem de chamá-lo “meu jeito”.
E o resto—
o resto pode ser infinito,
mas eu moro nesse instante…
e eu fico.

[OUTRO - SPOKEN]
A terceira canção não fala de estrelas.
Fala do que faz as estrelas
não serem só números:
alguém acordado,
cuidando.

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