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Canção

O Regral

Música de Franklin Baldo — O Regral

Abrir no Suno ↗

Letra

[Intro]
[Solo de Viola Caipira, lento e melancólico]
[Som de natureza noturna ao fundo]

[Spoken Word]
[Voz grave, estilo contador de histórias]
Dizem que existe uma coisa, compadre.
Não é santo, não é planeta.
É uma trama feita de toda lei que o destino já pisou.
O povo antigo chamava de... "O Regral".
Parece nome de fazenda, né? 
Mas é a fazenda de tudo que existe.

[Verse 1]
[Canto suave, toada lenta]
Imagina um arquivo que não tem cerca nem fim
Não tem livro, nem porteira, só veredas no capim
Cada "se" que a gente fala, cada sonho pra nascer
Já tava escrito na terra antes mesmo de chover
Empilhado feito espelho, refletindo o refletir
Onde a imagem não acaba, e o olhar tem que seguir

[Pre-Chorus]
[A viola ganha corpo, harmonia cresce]
Não é só esse mundão que a gente pisa no chão
É um balaio de mundos, numa grande confusão
Toda roupa que o céu veste, ele veste de uma vez
Toda guerra, toda paz, todo dia, todo mês
E se cabe toda lei, nesse pasto sideral...
Por que não vira um grito, num silêncio, afinal?

[Chorus]
[Emocionante, Vozes Dobradas, Aberto]
É O REGRAL! É O REGRAL!
A colheita de tudo, do bem e do mal!
É a grande Calculança, no espaço sideral
Tudo que pode acontecer, no galope final
Transbordando da represa, nesse temporal!
É O REGRAL! É O REGRAL!
Um coral de cigarra cantando sem parar
Mas no meio dessa toada...
Uma nota inda vem me visitar.

[Verse 2]
[Ritmo de Guarânia, um pouco mais rápido]
É cidade ou matagal onde tudo tem seu dono
Cada curva da estrada já tirou o nosso sono
Cada acaso tem hora, nesse vasto entroncamento
Numa mesa de telefone feita só de pensamento
Sem telefonista, moço!
É linha cruzada, sem ninguém pra operar!
Chamam de "computação", mas eu chamo de "vendaval"
Frente fria colidindo, chuva sobrenatural
Raio escrevendo a conta, riscando o céu de anil
Num papel que nunca acaba, maior que o nosso Brasil

[Bridge]
[Suave, apenas dedilhado, etéreo]
Onde a gente se acomoda, no meio desse estradão?
Somo página virada? Ou um tropico no chão?
Ou será que o Regral, nessa sua imensidão...
Tá se olhando no espelho d'água do nosso coração?
Talvez a vida seja ele, usando a gente de máscara
Aprendendo num sorriso, o segredo da casca.

[Guitar Solo]
[Solo de Viola bonito e triste]

[Chorus]
[Com muita força e sentimento]
É O REGRAL! É O REGRAL!
A colheita de tudo, do bem e do mal!
É a grande Calculança, no espaço sideral
Tudo que pode acontecer, no galope final
Transbordando da represa, nesse temporal!
É O REGRAL! É O REGRAL!
Um coral cantando tudo, a viola a chorar
E no meio do barulho...
Uma nota inda corre no meu sangue.

[Outro]
[Viola desaparecendo no silêncio]
Um objeto feito de todas as regras.
Que conceito absurdo.
(Suspiro longo)
Mas tamo aqui, né?
É o Regral.
[End]

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