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Xadrez
Música de Franklin Baldo — Xadrez
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Xadrez
tense · nocturnal · Instruments: felt piano ostinato · bass clarinet · cello/viola swells · 4:28
Letra
[Verse 1] No canto da sala, dois homens empurram o tempo com peças. O tabuleiro é um bairro severo onde o preto e o branco se estranham por dever de ofício. A torre (altiva, antiga), o cavalo que dobra a esquina, a rainha que sabe de tudo, um rei cansado de protocolo, o bispo enviesado, e os peões, operários do começo. [Pre-Chorus] A madrugada carimba presença e ninguém dá baixa no rito. Os jogadores, um dia, sairão com seus casacos e suas dúvidas; o hábito, porém, fica. [Chorus] Como o outro mundo, este jogo não aprende a terminar. [Verse 2] Rei frágil, bispo de viés, rainha que desce à rua, torre reta, peão malandro: na passagem estreita do tabuleiro disputam o pouco que lhes cabe. [Pre-Chorus] Não sabem da mão anônima que assina por eles o destino, não sabem do ferro invisível que limita o passo e a esperança. [Bridge] Também o jogador cumpre pena — (Omar escreveu; eu confirmo) — num tabuleiro maior: noite e dia alternando como relógio sem dono. [Chorus 2] Há quem mova o jogador, e o jogador move a peça. [Outro] Que instância atrás da instância inicia esta tramela de pó, de tempo, de sonho e agonia? Cartório cosmológico, onde se arquiva nossa trama, sem carimbo de saída.