FlyGenesis: uma mosca criando corpos para resolver mundos físicos
· 2 min de leitura · atualizado
Depois de colocar o MaleCNS para navegar numa arena 3D, a pergunta seguinte ficou mais interessante: e se a mosca não recebesse um corpo pronto?
E se ela pudesse participar de um processo que cria corpos, testa esses corpos na física, preserva os que funcionam e aumenta a dificuldade do mundo?
O primeiro demonstrador está abaixo. Ele reutiliza os mesmos arquivos do FlyDoom: o conectoma MaleCNS compactado de 165.122 neurônios e o mapa anatômico dos grupos sensoriais e descendentes. Não há uma segunda cópia do cérebro no site.
O loop
A arquitetura do demo é:
mundo físico
↓
sensores sintéticos
↓
neurônios visuais + olfativos do MaleCNS
↓
recorrência no conectoma de 165.122 neurônios
↓
neurônios descendentes
↓
adapter motor
↓
corpo mutável
↓
distância, energia e sucesso
↓
seleção + mutação
O corpo começa simples. Cada mutação pode mudar comprimento, ângulo, fase, rigidez, aderência e ganho de atuação de um membro; algumas mutações adicionam ou removem membros. Se o novo corpo resolve melhor o mundo, ele entra na linhagem.
Quando a linhagem alcança a meta, o currículo físico avança: solo plano, degrau, vale e terreno misto.
As “proteínas” ainda são um alfabeto funcional
É importante separar o que o demo faz do que ele ainda não faz.
Aqui, actomiosina, colágeno, elastina e adesina são módulos funcionais abstratos. Eles significam, respectivamente, atuação, estrutura, complacência e aderência. Não estamos simulando sequência de aminoácidos, folding, dinâmica molecular nem fabricação real de proteínas.
Isso é deliberado. Antes de pagar o custo de procurar proteínas concretas, queremos descobrir se existe uma pressão evolutiva interessante no nível de morfologia + controle + física.
Se aparecer uma forma corporal útil, a etapa seguinte é perguntar quais materiais ou proteínas poderiam implementar cada função.
O que vem do MaleCNS de verdade
O demo carrega diretamente:
/flydoom/malecns_l3_compact.mcns/flydoom/malecns_circuit.json
O kernel no navegador usa a mesma representação recorrente compactada do FlyDoom. Sinais do corpo e do terreno são projetados nos grupos sensoriais já mapeados; a atividade dos neurônios descendentes é lida pelo adapter motor.
Portanto, a topologia recorrente é a do MaleCNS. Mas os sensores, o corpo, o adapter, a função de fitness e o algoritmo evolutivo são artificiais. O demo é um protótipo de arquitetura — não uma demonstração de que uma mosca biológica “sabe projetar robôs”.
Por que isso pode ficar interessante
A meta não é fazer um boneco cada vez maior. A complexidade só deveria sobreviver quando compra capacidade física.
Se duas pernas resolvem o mundo, quatro pernas são desperdício. Se um buraco exige salto, uma mutação que permita acumular impulso pode sobreviver. Se o próximo mundo exigir empurrar, agarrar ou construir, novos tipos de corpo podem aparecer.
O experimento científico que interessa vem depois: comparar o MaleCNS com reservoirs aleatórios e redes pequenas sob o mesmo processo morfológico, mantendo orçamento, sementes e pressão seletiva controlados.
A pergunta então deixa de ser “a mosca consegue fazer X?” e vira:
A dinâmica de um conectoma biológico oferece alguma vantagem mensurável quando cérebro, corpo e currículo físico coevoluem?
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