FlyTTS: treinando o conectoma de uma mosca para gerar waveform direto no navegador

· 2 min de leitura · atualizado

Depois do tagger e do FlyDoom, o próximo teste é deliberadamente simples de formular: o conectoma MaleCNS consegue participar de uma transformação texto → waveform sem vocoder, mel-spectrogram ou codec acústico?

Para o primeiro experimento não tentamos generalização. Tentamos primeiro uma coisa mais básica e verificável: deixar o sistema rodar continuamente no navegador até conseguir reproduzir uma gravação curta já associada ao seu texto.

O loop

O cérebro usado aqui é o mesmo artefato compacto do FlyDoom: malecns_l3_compact.mcns, com o conectoma congelado e executado num Web Worker.

A cada passo:

texto correspondente ao instante ─┐
                                  ├─> MaleCNS congelada
waveform produzida no passo anterior ┘        │

                                  512 estados amostrados


                              readout treinável → 128 PCM samples

                         gravação-alvo ── erro ┘

                                         update NLMS

                                      próximo passo

Quando o sistema chega ao fim do WAV, ele volta ao começo sem apagar os pesos do readout. Isso transforma a página num experimento contínuo: perda, correlação e waveform são atualizadas volta após volta enquanto a mosca continua aprendendo.

A voz-alvo

O alvo inicial é LJ001-0002 do LJSpeech, cuja transcrição é “in being comparatively modern.”. O dataset fornece WAV mono PCM de 22,05 kHz junto com a transcrição. A página tenta carregar esse clipe diretamente; se o host remoto bloquear CORS, também aceita qualquer WAV local como substituto.

O ponto importante é que o alvo do treinamento é a waveform diretamente. Não existe um vocoder fazendo a parte final por fora.

O que está sendo treinado

Neste MVP o MaleCNS não muda. Também não estamos alegando que a dinâmica artificial de taxa usada aqui seja uma simulação biofísica literal da Drosophila. O que treinamos online é um readout pequeno sobre 512 estados amostrados do conectoma; o texto e a própria waveform recém-produzida são injetados como estímulos artificiais.

Isso é proposital. Primeiro queremos responder à pergunta mais barata: há um estado recorrente utilizável ali para fazer a onda convergir? Se a resposta for sim, o passo seguinte é tornar também o adapter de entrada treinável e depois sair do overfit de uma única frase para vários pares texto/voz.

O detalhe mais divertido é que o feedback auditivo já está no primeiro protótipo: a saída não serve apenas para ser ouvida por nós; ela volta como parte da entrada do próximo passo. A mosca, nesse sentido operacional e artificial, está continuamente “ouvindo” o que acabou de dizer.

Tags: #malecns #conectoma #tts #audio #machine-learning

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