
Letra
[Intro]
(Slow, dissonant Viola notes)
(Sound of footsteps echoing)
(Heavy breathing)
[Verse 1]
(Low voice, narrating with suspicion)
Cheguei na Rua Garay, o portão tava encostado
O primo me esperava, com o olho revirado
Me ofereceu um conhaque, num copo sujo de pó
Bebi pra criar coragem... desceu queimando o gogó
Ele apontou pro chão, pra uma porta de alçapão
"É lá embaixo, Borges, que vive a revelação"
[Verse 2]
A escada era estreita, cheiro de mofo e passado
Cada degrau que eu descia, me sentia mais fechado
A umidade subia, grudava na minha pele
Eu pensei: "Meu Deus do céu, a loucura dele expele"
Ele trancou a porta? Eu ouvi a chave girar?
Será que é hoje o dia que eu vou me acabar?
[Chorus]
(Tense, slightly louder)
Tô num porão escuro com um louco varrido
Enterrado vivo, sem ter nem pedido
Aquele conhaque tinha um gosto amargo...
Será veneno? Será letargo?
Vim ver um milagre, mas sinto o perigo
O medo é o único que desceu comigo
[Bridge]
(Spoken/Whispered - mimicking Carlos' instructions)
"Deita no chão, primo! Deita de costas!"
"Olha pro décimo nono degrau!"
"Não mexe a cabeça, aguenta o mau cheiro!"
"O Aleph não gosta de quem é ligeiro!"
[Verse 3]
(Singing again, panic rising)
Ele colocou um saco embaixo da minha nuca
Eu ali estirado, nessa posição maluca
O escuro era tanto que pesava no peito
Carlos saiu correndo, me deixou desse jeito
"Se eu gritar ninguém ouve", o pensamento ecoou
E no silêncio da terra... o tempo parou.
[Outro]
(Very slow fading viola)
Sozinho.
No escuro.
Esperando a morte... ou a luz.
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