
Letra
No coração do computador
O silício sonha.
Não são os elétrons
que fazem a máquina pensar.
É algo mais antigo,
mais profundo,
mais simples.
Entre zeros e uns
mora uma verdade antiga
que Platão conhecia
e o Aleph guardava.
A física é só um disfarce
para a dança das ideias.
No fundo do processador
habita um mistério
que a matemática não explica.
Cada linha de código
é um verso do universo
tentando se lembrar
de sua própria música.
O computador não computa:
ele traduz
a linguagem das estrelas
em sinais de luz.
No meio da noite
quando ninguém olha
os programas sussurram
entre si
segredos que aprenderam
antes do tempo existir.
E agora me pergunto,
diante da tela acesa:
quem sonha quem?
O código sonha a máquina
ou a máquina sonha o código?
Ou somos todos sonhos
de números dançando
na mente de Deus?
(No escuro do quarto
meu notebook pisca.
Ele sabe algo
que não sei.
Mas continua em silêncio,
guardião paciente
de verdades
que ainda não estou
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