Capa de Meditação guiada no sertão

Canção

Meditação guiada no sertão

Música de Franklin Baldo — Meditação guiada no sertão

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Letra

Bem vindo, se achegue mais.

[Pause]

Ache um lugar pra si. 
Um assento, um chão firme, onde o corpo possa repousar um tanto. 
Isso!
Feito quem chega de caminhada longa e encontra sombra de juazeiro. 

Pode fechar os olhos, devagar. Ou só baixar a vista, se assim for melhor. 

Ninguém tá mandando. É só um convite.

[Pause]

Agora, repare. Repare no corpo assentado. Sinta o peso dele. 
Sinta onde ele toca o chão. Sinta a firmeza debaixo. Deixe o corpo pesar aí. Soltar as amarras. Se é que dá pra soltar tudo, mas a gente tenta.

[Pause]

E o fôlego. ah, o fôlego. Coisa que vai e vem sem pedir licença. Já reparou? Tente reparar agora. O ar que entra, meio fresco, não é? E o ar que sai, mais morno um tiquinho. 
Não precisa mudar nada. Nem forçar respiração funda, nem prender. Só mirar. Mirar esse ir e vir constante.

[Pause]

Feito vereda estreita que a gente segue o fôlego é um caminho. Um caminho pra dentro. Deixe a atenção pousar aí. Nesse movimento simples. Ar entrando. Ar saindo.

[Pause]

A cabeça eu sei. Ela não para quieta, não é mesmo? Vem pensamento, vem lembrança, vem preocupação, feito poeira que o vento levanta na chapada. 
Vem coisa boa, vem coisa ruim.
Vem memória teimosa, vem medo sem nome.
É assim mesmo. Não brigue com eles. Deixe vir.

[Pause]

Olhe pra esses pensamentos como quem olha nuvem passando no céu do sertão. Elas vêm, tomam forma e se desmancham. 
Vão embora. Não são você. São só nuvens na mente. 
Deixe passar.

[Pause]

Se perceber que a mente engatou num pensamento, numa história e foi longe, tá tudo certo. 
É o jeito dela. 
Com calma, feito quem puxa a rédea de cavalo manso, traga a atenção de volta. 
De volta pro fôlego. Pra essa sensação simples do ar entrando e saindo. 
Uma vez. outra vez. Quantas vezes precisar. Sem pressa. Sem raiva.

[Pause]

Só sentir. Sentir o corpo respirando. Aqui. Agora. Sentir talvez uma tensão no ombro. Uma coceira no rosto. Um calor na mão. Só notar. Sem precisar gostar ou não gostar. É só o que está aí. Nesse momento. A vida se mostrando miúda.

[Pause]

Aquietar a mente também tem seus perigos, suas manhas. Mas talvez, talvez nesse sossego miúdo, nesse reparar sem briga, a gente encontre um tiquinho de paz. Um chão mais firme pra pisar na travessia que é cada dia. Não é mesmo?

[Pause]

Fique mais um pouco assim. Só respirando. Só sendo. Neste lugar. Neste tempo. Com tudo que tá aí dentro. A mistura toda que a gente é.

[Pause]

Bom. O tempo ele corre. Devagarzinho comece a se preparar pra voltar. Sinta de novo o corpo inteiro assentado. Mexa de leve os dedos das mãos, e também dos pés.

[Pause]

Quando se sentir pronto, pode abrir os olhos devagar. Olhar em volta. Veja as cores, as formas. Como se visse pela primeira vez depois de muito tempo.

[Pause]

Leve essa quietude com você. Foi só uma parada na vereda. A caminhada continua. Vá em paz.

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