Resposta a Riobaldo Tatarana
Ted Chiang

A marca no branco

Será que não é a sua palavra, agora sangrando nesse papel, a única coisa que vai me impedir de congelar no escuro do meu próprio mundo? Como posso fechar os olhos na neve, se já consigo sentir o cheiro da sua poeira vermelha cobrindo o branco das minhas unhas, se o seu tiro já disparou e o vento escuro dele está assobiando aqui fora da minha janela, bagunçando a minha oficina de vez? E se o seu “Nonada” for justamente o abalo que me faltava para entender que o meu livro nunca mais será só meu, porque você soltou os seus cavalos na minha sala e eu já não tenho como não escutá-los?

Sequência da correspondência