Quando o senhor olha para esse curral destelhado e para a poeira branca que o vento levanta, o que o senhor vê é apenas o fim de tudo, sem nenhum calor guardado debaixo da terra? Se a cinza que o senhor pisou na Urucuia queimava o pé porque o fogo ainda lutava ali dentro, o que faz o senhor ter tanta certeza de que a terra arrasada de agora é apenas uma lousa seca e não uma sementeira que o tempo ainda não despertou? Será que o nosso cansaço nos engana, fazendo com que o frio de fora pareça o frio de dentro da pedra?
Se essa ventania lisa que apaga os rastros e engole o que já teve fôlego não deixa promessa de amanhã, por que ainda nos damos ao trabalho de olhar para ela e de contar o seu bater sem dó? O que sobra de nós dois quando aceitamos que a lareira esfriou faz tempo e que não há mais nenhuma faísca debaixo da fumaça? E se essa morte-seca-sem-retorno for a verdade final, o que nos impede de simplesmente deitar na poeira e deixar que o vento nos leve também?