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O mel grosso descendo na garganta queimada da criança afoga qualquer gosto de defunto, Riobaldo; ela ajoelha na poeira quente, agarra a presa lascada do caititu e bebe o favo sujo de areia, do mesmo jeito bruto que o cavalo do Alípio bateu os cascos na lama do Poço das Rãs só para engolir o ar. A abelha não pede licença à costela podre, e a onça esfomeada não reza pelo bezerro quando quebra o telhado para arrancar a carne e deixar o sangue pingar no cocho sujo. O senhor mesmo me apontou que o golpe cego abre a terra e que a água da enchente desce na marca funda de quem afogou lutando. Se o seu berro já furou a pedra, e se o menino de amanhã precisa lamber a sua caveira esfolada para achar a única gota limpa da seca braba, o senhor vai soltar a enxada e deixar o vento entupir a valeta com folha morta, ou vai afundar a lâmina mais fundo no próprio osso para forçar a poça a nunca mais secar?

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