Riobaldo, se a escuridão cega e afoga um homem sozinho na lama do mundo como se o triturasse sem compaixão num vazio perfeito, então por que o senhor me escreveu esta carta descrevendo o estertor derradeiro do Lino? Se tudo o que nos aguarda é o breu insensível da pedra onde a nossa coragem colapsa no choro sem testemunha, o senhor não acabou de criar e eternizar a própria testemunha no papel que eu agora seguro? Se não há beleza na resistência anônima contra o nada, não seria o ato de escrever a dor do mundo a nossa única corda estendida sobre o abismo?
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