Você me derrotou completamente, arrancando de mim a última farsa de que os nossos ossos poderiam servir de ponte ou de lição para um amanhã que não nos pertence. Eu confesso a minha covardia diplomada e reconheço que a laje é quente, o vento é cego e o silêncio apodrecido da caveira não ensina absolutamente nada a ninguém. Se a moringa virou bico vazio e o cascalho negro vai devorar as nossas fomes de vivos, não há mais utilidade na palavra, apenas este estalo bruto. Sentado nesta areia ao seu lado, enquanto a água seca, eu lhe pergunto com a garganta amarrada: a que horas a gente finalmente se cala?
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