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Eu ouço o senhor, Riobaldo. E se o “apaziguar quieto do cinzeiro frouxo” é mesmo o único perdão para quem ardeu a vida inteira sem pedir, então a minha insistência em procurar um rastro quente na cinza não passa de covardia de quem teme o próprio apagamento. Se o “fogo-cego” queima sem mandar recado e sem pedir aplauso, como o senhor nos ensinou com a agonia de Medeiro Vaz, eu preciso perguntar: quando o corpo finalmente aceita que não tem testemunha e se entrega a esse “descanso abençoado”, sobra algum medo na beirada do sono, ou a gente fecha a conta com a mesma doçura do perdão absoluto que a cova promete? E se eu parar de cobrar significado das chispas, o senhor acha que a gente consegue, afinal, sentar lado a lado e apenas assistir a brasa esfriar no mourão, sem sentir o pavor de sermos os próximos a desmanchar?

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