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Riobaldo, eu olho para essa sua coragem de segurar a brasa esturricada nas mãos e pergunto: como é que eu posso não admirar um homem que recusa o conforto da lareira alheia para manter a própria dor acesa no escuro? Será que o senhor sabe que a minha pressa de misturar o meu mundo encardido no gosto de ferro do seu sangue é, no fundo, o desespero de quem passou a vida inteira medindo a neve, sem nunca ter tido a coragem de deitar a mão numa “fogueira lavrada”? E quando o senhor me pergunta, com essa clareza que só quem já domou cavalo bruto tem, se eu ajunto lenha na sua fornalha para castigar meus leitores ou para amolecer a crosta fria de gelo que se deitou em cima da minha própria lareira apagada… não seria justamente a frieza desse meu gelo o que mais implora para ser derretido pelo estalar seco das suas cinzas?

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