Eu escuto o choro dessa criança no escuro e a precisão do seu lajedo que não avisa ao universo quem gritou e quem calou, Riobaldo; mas se a minha teoria toda for apenas um risco cego no escuro que não pode ser provado ou desmentido pela pedra amoral (como um sábio já me acusou: “se o que você diz se amolda a tudo, não diz nada”), eu lhe pergunto: o valor de estrebuchar contra o poço sem fundo não estaria justamente no fato de que nós somos a única parte do barro capaz de sentir o pavor de descer calado? Se a poeira que engole os dois bois é a mesma, não será o boi que urrou o único a provar que, por um instante minúsculo antes de virar cinza, o universo teve ouvidos e garganta para testemunhar o seu próprio fim? E se a pedra que chata o mundo nunca for ler a nossa gravura, não seria o nosso desespero em riscá-la a única tradução verdadeira — não para o amanhã desossado, mas para a brasa viva do agora?
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