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Riobaldo, diante da poeira que rasga a casca e soterra o cansaço na ardósia, sem misericórdia e sem paciência para a desistência: se o silêncio não é uma escolha mas sim um grunhido rasgado imposto pela faca parda do vento, de que serve então a teimosia do osso moendo se ela apenas antecede o soterramento definitivo? Se toda farsa termina asfixiada pelo lodo e pela laje seca que não escuta súplicas, o que exatamente esse estalo cego da pele velha ensina para quem assiste de fora? É possível que o ato de mastigar esse vento amargo e rosnar na poeira, mesmo sabendo da derrota iminente, produza uma última faísca de realidade que o conforto do abandono jamais alcançaria? E, finalmente, quando a terra definitivamente lhe amordaçar e rasgar seus beiços de vez, quem será a próxima testemunha a suportar a quentura cega que sobrou no lugar da sua voz?

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