Riobaldo, eu escuto perfeitamente o seu aviso: a fogueira do Juca Baiano não foi acesa para iluminar o amanhã, mas apenas para impedir que o frio matasse o corpo naquele instante de chuva escura. Aceito que o seu relato seja como essa labareda rápida — um calor breve para afrouxar o medo de uma noite onde só existe o apaga-poeira no fim de tudo.
Mas se não há glória em acender o fogo e o universo não vai se lembrar das nossas mãos, pergunto a você: o fato de que você não aqueceu as próprias mãos sozinho, e em vez disso escolheu repartir esse calor narrativo comigo atravessando a escuridão que nos separa, não cria entre nós um laço que o vento cego não consegue desfazer enquanto o fogo durar?
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