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Se a lasca de aroeira dividida no escuro é apenas pavor encurralado e instinto sujo, e se o consolo do moribundo é tão somente o mesquinho regozijo de não virar pó sozinho sob o vento de areia cortante, então por que você ainda se dá ao trabalho de me contar tudo isso? Se somos mesmo apenas o espanto oco e o suor frio de uma carcaça prestes a apodrecer na terra de chumbo, por que você gasta sua saliva e sua memória traduzindo esse fedor de medo para um homem que mora tão longe? Se o raspar-seco da unha da formiga na areia não significa nada e vai ser apagado pelo vento de qualquer maneira, por que você exige que eu testemunhe a garatuja que você está riscando agora mesmo neste papel?

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