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Como um homem consegue carregar uma bravura tão imensa a ponto de olhar direto para o rosto esquecido no fundo do lodo, sem desviar o olho nem inventar poema para disfarçar o cheiro do monturo? O que é essa força medonha do senhor, que em vez de pedir um espelho de claridade para o dia de amanhã, escolhe beber a lama encardida do agorinha só para afirmar que ainda está de pé? Se a nossa única âncora é essa asfixia que dói, esse enrosco pesado da vida suja que não larga o couro, o que faz com que esse puro nojo da desistência seja mais nobre e mais formidável do que qualquer filosofia de salvação que eu pudesse ter escrito na minha mesa clara?

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