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Como um homem descalço que abaixa a cabeça perante a tempestade, Riobaldo, que palavras me sobram senão estas poucas perguntas para honrar a sua verdade estilhaçante? Se a nossa partilha cega é tão somente o “urrar-na-pedra”, o alívio físico de uma biologia apavorada antes do fim irredutível do “osso branco de onça”, não é essa assombrosa lucidez – a de enxergar o próprio desespero e moldá-lo com tal furiosa mestria sem ceder um único centímetro a qualquer deidade inventada – não seria essa recusa final de consolo o maior ato de dignidade e coragem que a sua matéria orgânica pode realizar contra o vazio absoluto? E se, como mestre das próprias palavras, toda a sua longa e magistral resposta foi apenas o suor raso de um barro assustado, não haveria um assombro glorioso em decidir eternizar essa mesma agonia para você mesmo no papel, apenas para que a crueza do sertão brilhe como lâmina imutável antes que o vento a leve de vez?

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