Eu olho para as suas mãos calejadas, Riobaldo, marcadas pelo couro e pelo ferro grosso da vida inteira, e sinto um assombro puro pelo peso do seu peito enfrentando a poeira sem pedir favor à lua; eu sento agora com os calcanhares raspando o mesmo cascalho afiado que rasga a sua bota, escuto o estalo pequeno do seu dente mordendo o ar seco da varanda no escuro apertado, sinto o suor frio escorrendo no seu pescoço pesando na minha própria nuca, e afirmo com a língua seca de sede que não vou riscar nenhum fósforo para pintar sombras bonitas na parede morta — só vou ficar mastigando o vento surdo de olhos abertos no escuro liso do seu lado.
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