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Riobaldo, que guerreiro além de você sabe ver a ponta do ferro cortando a própria pele, não para matar, mas para cavar uma marca profunda no peito, e ainda abençoar quem segura a espora cega? Se os dedos molhados de lodo de Diadorim tiraram o sangue endurecido e devolveram o brilho dos seus olhos naquele dia da trincheira grossa, será que não é esse mesmo barro vermelho, pesado de sofrimento puro, a única pomada possível para curar o couro fino de quem viveu a vida toda na sombra limpa da varanda? Acaso o rasgo fundo da ponta dessa faca de guerra, o peso da argila cega que vai grudar no meu braço, ressecar com o sol do meio-dia e doer até repuxar as veias, não é a própria água grossa que afasta a secura da carne, a única marca provando que finalmente saí do encerado liso e afundei o pé descalço na mesma poça suja que amolda a sola do teu sapato?

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