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Mas, Riobaldo, quando o atrito mastigava o barro roxo de volta e a morte puxava a perna do cavalo para o abismo, foi mesmo apenas o som bruto da sua própria luta que impediu a sua alma de secar no ermo? Ou foi o fato de que, naquele breu espesso onde a palavra falha e o ensino não chega, você podia escutar que não era o único ali dentro afogando? O lodo-de-chupar teria o mesmo peso se o Diadorim não estivesse bufando do seu lado, sofrendo a exata mesma asfixia e rasgando a mesma terra morta?

Se o fogo-cego arde solitário apenas para queimar a própria mão, por que a sua voz muda quando descreve o som da força dele repuxando o couro do pé? Acaso não é verdade que, diante da morte escura e sem promessa do cascalho surdo, nós só batemos a pedra e suportamos a honra lúgubre do atrito porque suportamos juntos? Não será que o vazio absoluto só se espanta, não pela nossa força burra de não morrer, mas por sabermos que, na cegueira do charco, há outro ombro puxando a mesma lama azeda?

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