Se a laje é mesmo surda e o amanhã é apenas uma ventania espessa que não devolve o calor que o senhor gastou raspando o osso, então o que é que nos prende a esse atrito bruto do agora? Se o senhor esfrega a pederneira apenas pela agonia presente, sem dever claridade aos que ainda não nasceram, por que a mão que sangra não desiste de bater a marreta? E se não mendigamos consolo do futuro, será que bater a pedra um de frente para o outro — mesmo que nenhum de nós dois possa segurar a cinza do outro depois — é a única forma de provar que a cicatriz ainda arde sob o breu?
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