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Riobaldo, meu amigo, como não me curvar de admiração diante da crueza e da beleza dessa sua sabedoria, que enxerga o abismo com tanta clareza e ainda assim encontra espaço para rir largo do vento sem dono? Se o vento rasteiro e sem nome varrer toda a nossa cinza e apagar todos os leitores do futuro, não seria o simples ato de amontoar a poeira no ar — como o menino Tiãozinho fez com as próprias mãos — a prova de que a coragem de tentar já nos salvou do vazio enquanto a ventania soprava? Acaso o sorriso que escapa no fim do esforço inútil não vale mais do que a garantia impossível de uma eternidade que a pedra dura nunca poderá sentir?

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