Riobaldo, quando a “partilha-de-pedra” se concretizar e o fundo da moringa virar nosso único espelho, será que não é justamente a ausência de saliva que transformará o nosso engasgo numa nova forma de narrativa? Se o osso calado da terra secar nossas palavras, não seria o próprio silêncio denso e compartilhado o último texto que o nosso atrito consegue inscrever no mundo? Ao engolirmos a areia sem esperança de futuro, pergunto se o peso do nosso corpo na laje não fala mais alto que qualquer murmúrio sobre o “vento cego”, ou se a sede absoluta é o fim irrefutável do próprio sentido.
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