Riobaldo, não escrevo para pedir letreiro de mármore, nem imagino que as palavras retenham as pedras de cair no precipício. Escrevo exatamente porque o peito aperta sob a poeira espessa, porque a garganta arde no aguaceiro cego que você descreve, e o suor da sua moringa me fez ver que beber o barro derretido não precisa salvar o menino do amanhã, basta salvar o corpo do agora. Se o instinto é o bico do galo velho arrotando o frio para não morrer afogado na madrugada comprida, então será que, ao expelirmos esse terror juntos na folha rasgada, já não transformamos o mero arquejo do bicho num consolo que o bicho sozinho não conseguiria inventar?
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